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Acusações de 'candidatura laranja' e inexperiência marcam debate da TV Mirante

Candidatos ao Governo do Maranhão participaram do debate da TV Mirante e trocaram acusações durante blocos.

Acusações de 'candidatura laranja' e inexperiência marcam debate da TV Mirante

SÃO LUÍS - Os candidatos governador do Maranhão André Luís (Missão), Eduardo Braide (PSD), Felipe Camarão (PT), Orleans Brandão (MDB), Roberto Rocha (PRTB) e Saulo Arcangeli (PSTU) protagonizaram enfrentamento no debate da TV Mirante realizado na noite desta terça-feira (29).

O debate foi mediado pelo jornalista Hélter Duarte, da TV Globo, e teve 2 horas e 45 minutos de duração.

O programa - transmitido ao vivo pela emissora -, foi realizado em quatro blocos divididos por perguntas sobre temas livres e sobre temas determinados. O último bloco também contou com as considerações finais de cada um dos participantes.

O primeiro turno das eleições 2026 será realizado no próximo domingo (4), das 8h às 17h. 

O debate foi, portanto, um dos últimos compromissos de campanha dos candidatos que tentam alcançar o comando do Palácio dos Leões.

Abaixo, um resumo de como foi o encontro entre seis dos oito candidatos. 

Veja como foi o debate, bloco a bloco:

1º bloco - apresentação de candidatos e perguntas de temas livres

Felipe Camarão foi o primeiro candidato a formular pergunta e o escolhido foi Orleans Brandão. O candidato do PT questionou a experiência do adversário para governar o Maranhão e destacou sua trajetória como procurador federal, professor e gestor público.

“Eu sou procurador federal de carreira há 19 anos. Fui professor por 28 anos e dirigi diversos órgãos, tanto no município, quanto no Estado, quanto no governo federal”, afirmou Camarão.

O petista também citou ações realizadas quando esteve à frente da Secretaria de Educação e questionou Orleans sobre sua preparação para assumir o governo estadual.

“Eu queria que você apresentasse a sua experiência, a sua formação. O que você tem para apresentar para governar o Estado do Maranhão?”, perguntou.

Orleans defende ações do governo estadual

Em resposta, Orleans Brandão destacou sua atuação como secretário de Assuntos Municipalistas e apresentou programas do governo estadual como principais marcas de sua trajetória.

“Eu sou empresário, sou administrador de empresas, sou marido da Fernanda há 10 anos, sou pai de dois filhos e tive a missão de ser secretário de Assuntos Municipalistas, de andar o Estado do Maranhão inteiro, de conversar com as pessoas, de resolver muitos problemas”, declarou. 

Ele chamou Felipe Camarão de “candidato laranja” de Braide.

O emedebista também citou o programa Maranhão Livre da Fome.

“Criamos o maior programa de transferência de renda da história desse Estado, o Maranhão Livre da Fome, que tirou mais de 1 milhão e 300 mil maranhenses da fome e da extrema pobreza”, afirmou.

Durante a réplica, Felipe Camarão questionou a participação de Orleans na execução do programa e criticou sua atuação como secretário.

“O programa que ele se refere, inclusive com gratidão ao presidente Lula, não passou pela secretaria dele em hora nenhuma. Não teve uma assinatura, não teve um contrato, não teve uma licitação, não teve nada”, disse.

Braide leva debate para gestão em São Luís

Ao ser questionado por Orleans Brandão sobre políticas sociais, Eduardo Braide utilizou sua administração como prefeito de São Luís para defender sua candidatura.

“Como prefeito de São Luís, nós fizemos mais de 2 mil obras que transformaram a vida das pessoas”, afirmou.

Braide citou ações em áreas como educação, saúde e infraestrutura e afirmou que pretende levar o modelo adotado na capital para o Estado.

“Foi trabalhando assim, com dignidade, para mudar as pessoas de verdade, e é assim que a gente vai fazer no Maranhão”, declarou.

Orleans Brandão, na réplica, voltou a criticar a gestão municipal e afirmou que Braide não teria realizado políticas sociais suficientes.

“Você não fez um programa social. Você desmontou a Secretaria de Assistência Social do município”, disse.

O prefeito rebateu as críticas e destacou obras realizadas em São Luís.

“Não existe programa social melhor do que ter uma escola, uma creche de tempo integral. Uma escola que entrega kit de material escolar onde a mãe não precisa gastar dinheiro”, afirmou.

Transporte público e mobilidade geram confronto

O candidato Saulo Arcangeli questionou Braide sobre infraestrutura e transporte público.

“Você deixou uma cidade sem mobilidade, com um problema seríssimo de transporte. A população não consegue chegar ao seu local de trabalho, ao seu local de estudo”, afirmou Saulo.

Braide respondeu defendendo as ações realizadas na capital e citou o programa Trânsito Livre.

“São Luís é reconhecida nacionalmente pelo programa Trânsito Livre, um programa que ajudou a acabar com o engarrafamento em vários pontos da cidade”, declarou.

Na réplica, Saulo criticou o modelo de mobilidade adotado.

“Você privilegia os carros. Primeiro tem que pensar no pedestre, nas pessoas com deficiência, no ciclista e no transporte público”, afirmou.

Meio ambiente e agronegócio entram no debate

Saulo Arcangeli também questionou Roberto Rocha sobre o avanço do agronegócio e os impactos ambientais no Maranhão.

Roberto Rocha afirmou que não há necessidade de conflito entre produção agrícola e preservação ambiental.

“O meio ambiente não precisa estar de um lado e a produção agrícola estar do outro. O desafio é compatibilizar a produção com a proteção”, disse.

O candidato defendeu o fortalecimento da agricultura e afirmou que o Maranhão precisa agregar valor à produção.

“O desafio não é produzir vegetal. O desafio é transformar o vegetal em proteína animal”, declarou.

Saulo, por outro lado, criticou o modelo econômico baseado na expansão agrícola.

“A gente não pode transformar o Maranhão em um deserto. A gente tem que ampliar a agricultura familiar e também toda essa estrutura do agronegócio”, afirmou.

Lula vira tema de disputa entre candidatos

Roberto Rocha questionou Felipe Camarão sobre a ausência do presidente Lula na campanha eleitoral no Maranhão.

“O Lula não vem ao Maranhão e nem vem mesmo tendo candidato a governador e senador. Qual é a razão disso?”, perguntou.

Camarão respondeu defendendo a relação com o presidente e afirmou que Lula continua apoiando sua candidatura.

“Ele vai ganhar desta vez mais votos do que teve em 2022. Lula lá e Camarão cá, nós vamos trabalhar muito juntos pelo Maranhão”, declarou.

Roberto Rocha voltou a questionar a ausência do presidente e afirmou que candidatos precisam assumir posições políticas.

“Quando o candidato esconde suas posições, quando ele se omite, ele também vai omitir o direito de reclamar depois”, afirmou.

André Luís apresenta discurso de mudança

O candidato André Luís adotou críticas aos grupos políticos tradicionais e apresentou propostas de ajuste fiscal.

Durante o questionamento a Orleans Brandão, afirmou que o adversário representaria a continuidade do atual grupo político.

“O Estado do Maranhão está cooptado por organizações criminosas, por uma casta política, por oligarquias que não querem desenvolver o Maranhão”, declarou.

Orleans respondeu defendendo sua trajetória e afirmando que realizou uma campanha baseada em propostas.

“Eu fiz essa campanha inteira falando sobre Maranhão. Uma campanha limpa, propositiva”, afirmou.

André Luís também apresentou propostas administrativas, como redução de cargos comissionados e reorganização da estrutura do governo.

“Sou o único desses candidatos que apresentou uma proposta buscando fazer essa redução, cortando na carne, reduzindo 25% dos cargos comissionados”, disse.

2º bloco - candidatos fazem perguntas sobre temas definidos

O segundo bloco foi marcado pela discussão de temas sorteados, com destaque para saúde, segurança pública, habitação, educação, transporte, mobilidade e geração de emprego e renda. Os candidatos apresentaram propostas para diferentes áreas e também trocaram críticas sobre gestões anteriores e modelos de administração.

Saúde e regionalização abrem o bloco

O primeiro tema sorteado foi saúde. Orleans Brandão questionou Roberto Rocha sobre propostas para melhorar o atendimento no Maranhão e destacou a necessidade de ampliar a regionalização dos serviços.

“Eu acredito que o principal problema da saúde do Estado continua sendo a regionalização. Nós temos que levar mais equipamentos”, afirmou Orleans. O candidato também citou a ampliação de policlínicas e centros de hemodiálise durante a atual gestão estadual.

Roberto Rocha respondeu que o principal problema da saúde pública no Estado está relacionado à falta de resolutividade das unidades existentes.

“As unidades que têm no interior do Maranhão não conseguem resolver o problema do cidadão e eles são obrigados a continuar com essa procissão de ambulâncias até São Luís”, declarou.

O candidato também questionou a aplicação de recursos destinados à saúde e afirmou que o Maranhão recebeu valores significativos por meio de emendas parlamentares.

“Nos últimos cinco anos, só de emendas parlamentares para a saúde, o Maranhão recebeu 5 bilhões de reais. E onde é que está esse dinheiro?”, questionou.

Orleans Brandão rebateu afirmando que os recursos foram utilizados em obras e serviços de saúde, citando investimentos em hospitais e equipamentos. Eduardo Braide também entrou no debate ao defender ações realizadas pela Prefeitura de São Luís e apresentar propostas para ampliar o atendimento estadual.

Segurança pública entra em discussão

O tema segurança pública colocou em confronto Saulo Arcangeli e Roberto Rocha. Saulo criticou a política de segurança adotada pelo governo estadual e afirmou que é necessário investir em prevenção e investigação.

“Você tem uma polícia apenas repressora. E isso levou o Maranhão a ser a maior taxa de letalidade policial”, afirmou Saulo.

O candidato também defendeu mudanças na estrutura da Polícia Civil e citou problemas relacionados ao número de delegados e ao funcionamento das unidades.

“Faltam 160 delegados da Polícia Civil do Estado do Maranhão. E não vai ser assim que vai resolver o problema da segurança”, declarou.

Roberto Rocha respondeu que o principal desafio está no sistema prisional e defendeu investimentos associados ao desenvolvimento econômico.

“O problema da segurança pública, ele não é o maior gargalo no sistema policial, é no sistema prisional”, afirmou.

Habitação e conflitos no campo

O tema habitação foi debatido por Saulo Arcangeli e Felipe Camarão. Saulo questionou as políticas habitacionais do governo estadual e destacou o déficit de moradias no Maranhão.

Felipe Camarão afirmou que pretende ampliar programas habitacionais em parceria com o governo federal e apresentou uma proposta de complementação estadual ao Minha Casa Minha Vida.

“No meu plano de governo, Saulo, eu tenho um projeto Minha Casa Digna. A cada casa que o presidente Lula destinar para o Maranhão, nós iremos fazer outra com recurso do governo do Estado”, declarou.

O candidato também abordou conflitos agrários e afirmou que o Maranhão precisa de políticas voltadas às populações do campo.

Saulo Arcangeli criticou o modelo de desenvolvimento baseado no avanço do agronegócio e citou conflitos envolvendo comunidades tradicionais.

“Saulo questionou os impactos ambientais do Matopiba, região agrícola que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.”, afirmou.

Educação gera novo confronto entre Felipe Camarão e Orleans Brandão

O debate sobre educação retomou a disputa entre Felipe Camarão e Orleans Brandão. O candidato do PT destacou sua passagem pela Secretaria de Educação e citou resultados obtidos durante sua gestão.

“Eu deixei o Maranhão em terceiro lugar do IDEB no Nordeste, deixei em décimo terceiro do IDEB do Brasil, alfabetizei mais de 500 mil pessoas e fiz o programa Escola Digna”, afirmou Camarão.

Orleans Brandão respondeu defendendo ações do governo estadual e citou programas como Educação de Verdade, além de investimentos na rede de ensino.

“Eu concordo que o programa Educação de Verdade foi uma invenção nossa. No seu tempo era suco com bolacha, agora tem comida em todas as escolas”, declarou.

Na réplica, Camarão voltou a criticar a gestão estadual e apresentou propostas para a área, como ampliação do ensino integral e valorização dos professores.

Orleans, por sua vez, apresentou metas para um eventual governo, incluindo a ampliação de escolas em tempo integral e ensino técnico.

“Eu vou colocar 50% das escolas do Estado do Maranhão em tempo integral nos primeiros quatro anos de governo”, afirmou.

Transporte e mobilidade colocam André Luís e Braide frente a frente

O confronto entre André Luís e Eduardo Braide teve como tema transporte e mobilidade. André Luís questionou a atuação do prefeito de São Luís no sistema de transporte coletivo.

“Por que, Eduardo Braide, você não rompeu com as empresas que não cumpriram com os contratos junto à Prefeitura da cidade de São Luís?”, perguntou.

Braide respondeu afirmando que o adversário desconhecia decisões judiciais relacionadas ao sistema e defendeu medidas adotadas durante sua gestão.

“A lei que foi aprovada pela Câmara, que permitia fazer a nova licitação e romper com os contratos, foi declarada inconstitucional pelo Supremo”, afirmou.

O prefeito também apresentou propostas para ampliar ações de mobilidade no Maranhão, citando a expansão do programa Trânsito Livre para municípios do interior.

Emprego e renda encerram o bloco

O último tema sorteado foi emprego e renda, com confronto entre Eduardo Braide e André Luís. Braide questionou propostas para geração de oportunidades e criticou o aumento da carga tributária estadual.

André Luís respondeu apresentando sua proposta de industrialização e ajuste fiscal.

“Eu tenho um planejamento para fazer o interior do nosso Estado dar certo, por meio da industrialização, olhando a vocação de cada município”, afirmou.

O candidato defendeu a redução de impostos como medida para estimular investimentos.

“Meu primeiro ato como governador será baixar o imposto estadual do Maranhão para que as vendas aumentem, porque o produto vai baixar de preço e os empregos vão começar a ser gerados no Maranhão”, declarou.

Braide rebateu as críticas e afirmou que André Luís desconhecia ações realizadas pela prefeitura, enquanto defendeu sua atuação administrativa.

O segundo bloco terminou com os candidatos concentrando seus discursos em propostas para áreas consideradas prioritárias e mantendo a disputa sobre modelos de gestão, investimentos públicos e capacidade administrativa.

3º bloco - candidatos respondem a perguntas de temas livres

O terceiro bloco do debate entre os candidatos ao Governo do Maranhão foi marcado por perguntas de tema livre e concentrou os principais confrontos em áreas como saúde, regularização fundiária, trabalho, desenvolvimento econômico e assistência social.

Os candidatos utilizaram o espaço para reforçar propostas de governo e retomar críticas feitas ao longo do debate. Eduardo Braide, Orleans Brandão, Saulo Arcangeli, Felipe Camarão, Roberto Rocha e André Luís voltaram a discutir modelos de gestão e apresentaram diferentes visões para o futuro do Estado.

Saúde abre confronto entre Braide e Orleans Brandão

O primeiro embate do bloco ocorreu entre Eduardo Braide e Orleans Brandão, com a saúde como tema principal. Braide questionou o candidato do MDB sobre uma declaração do governador Carlos Brandão a respeito dos Socorrões de São Luís.

Orleans Brandão afirmou que a população evita buscar atendimento nos hospitais municipais e defendeu a ampliação da regionalização da saúde no Maranhão.

“Quero levar para o Estado do Maranhão a regionalização. Quero cuidar de quem mais precisa. Essa foi a bandeira do Brandão e é essa bandeira que eu quero seguir”, declarou.

Braide rebateu as críticas e afirmou que os problemas da saúde municipal estão relacionados à falta de atenção básica e defendeu ações realizadas durante sua gestão em São Luís.

Orleans, por sua vez, criticou a administração municipal e afirmou que pacientes de outras cidades precisam recorrer à capital por falta de atendimento adequado no interior.

“A partir de janeiro do ano que vem, eu vou tirar os políticos de dentro dos hospitais do Estado do Maranhão”, afirmou Orleans, ao defender mudanças na gestão da saúde estadual.

O candidato também apresentou propostas de ampliação da rede hospitalar, citando maternidades e unidades regionais.

Regularização fundiária e agronegócio entram no debate

O segundo confronto envolveu Orleans Brandão e Saulo Arcangeli, com foco em regularização fundiária, conflitos no campo e desenvolvimento rural.

Orleans destacou ações do governo estadual relacionadas à entrega de títulos de propriedade.

“Desde a criação da Fundação do Interno, tinham sido distribuídos 30 mil títulos. E só na gestão do governador Carlos Brandão foi distribuído mais de 35 mil títulos”, afirmou.

Saulo Arcangeli contestou a avaliação de Orleans e afirmou que o Maranhão ainda enfrenta problemas relacionados a conflitos agrários e avanço do agronegócio.

“O Estado do Maranhão é o maior exportador de trabalho escravo. Seu tio fez a lei de terras para legalizar a grilagem”, declarou Saulo.

O candidato do PSTU defendeu mudanças na política agrícola e afirmou que pretende restringir o uso de agrotóxicos e ampliar políticas voltadas à agricultura familiar.

“Você tem que desenvolver a agricultura familiar, garantir assistência técnica, produção e escoamento da produção”, afirmou.

Orleans respondeu defendendo a regularização fundiária, o apoio aos pequenos produtores e a continuidade de programas voltados ao setor rural.

Trabalho e ajuste fiscal são discutidos entre Saulo e André Luís

O tema trabalho colocou Saulo Arcangeli e André Luís frente a frente. Saulo questionou a proposta de ajuste fiscal defendida pelo candidato do Missão e perguntou como ela poderia impactar a geração de emprego e renda.

André Luís afirmou que o ajuste fiscal seria necessário para reorganizar as contas públicas e ampliar a capacidade de investimento do Estado.

“O meu projeto de ajuste fiscal já foi protocolado na Assembleia Legislativa. E só eu tenho um projeto protocolado porque eu estudei o Estado”, declarou.

O candidato afirmou que a proposta também prevê realização de concursos públicos.

“O ajuste fiscal passa principalmente pelo compromisso de concursos públicos, porque é o não concurso público que transforma o nosso povo em refém dessa politicagem”, disse.

Saulo respondeu defendendo a ampliação de concursos e criticando a terceirização de serviços públicos.

“90% dos trabalhadores da saúde do Maranhão são terceirizados. A gente vai acabar com isso”, afirmou.

André Luís e Roberto Rocha divergem sobre gestão pública

André Luís também questionou Roberto Rocha sobre uma proposta de responsabilidade gerencial para municípios maranhenses.

O candidato do Missão defendeu a criação de metas de desempenho para gestores municipais e afirmou que os resultados poderiam influenciar repasses de recursos.

“A Lei de Responsabilidade Gerencial é uma pressão que nós vamos colocar em cima dos prefeitos por meio da cota-parte do ICMS”, afirmou André Luís.

Roberto Rocha criticou a proposta e afirmou que o candidato desconhecia as limitações constitucionais dos municípios.

“Governar é cumprir a lei e respeitar o povo. Você não pode achar que governar é descumprir a lei”, declarou.

O senador também criticou propostas de redução de impostos e afirmou que mudanças na arrecadação precisam considerar a manutenção dos serviços públicos.

Desenvolvimento econômico

Roberto Rocha questionou Felipe Camarão sobre como promover crescimento econômico com melhoria na qualidade de vida da população.

O candidato do PT afirmou que o principal desafio do Maranhão é reduzir desigualdades e distribuir oportunidades.

“O Maranhão é um Estado rico de fato. O problema do Maranhão é a desigualdade”, afirmou Camarão.

Ele defendeu investimentos na agricultura familiar, qualificação profissional e geração de emprego e renda.

Roberto Rocha respondeu defendendo maior industrialização do Estado e agregação de valor à produção.

“O problema do Maranhão é que a produção do Maranhão, a riqueza do Maranhão, passa pelo Maranhão, chega no Porto Itaqui e vai embora”, afirmou.

O candidato destacou a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) como alternativa para estimular a industrialização.

Felipe Camarão rebateu afirmando que sua visão de desenvolvimento deve priorizar a população mais vulnerável.

“Antes de falar do Matopiba ou de trazer mais soja para o Maranhão, eu quero falar é com você, ser humano”, declarou.

Assistência social encerra o bloco

O último confronto do bloco envolveu Felipe Camarão e Eduardo Braide, com foco em assistência social e políticas para pessoas em situação de vulnerabilidade.

Camarão questionou Braide sobre propostas para primeira infância, idosos e beneficiários de programas sociais.

Braide respondeu citando ações realizadas em São Luís e apresentou propostas para um eventual governo estadual.

“Na primeira infância, nós temos o compromisso de construir creches de tempo integral, em parceria com os municípios”, afirmou.

O candidato também citou ações voltadas para idosos, segurança alimentar e acompanhamento de famílias em situação de vulnerabilidade.

Na réplica, Felipe Camarão destacou parcerias com o governo federal e afirmou que pretende ampliar políticas sociais em conjunto com o presidente Lula.

Braide encerrou o bloco defendendo uma postura administrativa sem divisão ideológica.

“Enquanto eles vão discutindo ideologia, se é a direita, se é a esquerda, eu estou pensando em resolver os problemas do Maranhão”, declarou.

4º bloco - perguntas de temas definidos e considerações finais

O quarto e último bloco do debate entre os candidatos ao Governo do Maranhão, realizado pela TV Mirante, foi marcado pela discussão de temas definidos por sorteio e pelas considerações finais dos participantes. Gestão pública, equilíbrio fiscal, meio ambiente, agricultura, desenvolvimento econômico, combate à pobreza e saneamento básico foram os assuntos abordados nesta etapa final do confronto.

Gestão pública e equilíbrio fiscal abrem o bloco

O primeiro tema sorteado foi gestão pública e equilíbrio fiscal. Saulo Arcangeli questionou Orleans Brandão sobre a política de incentivos fiscais adotada pelo governo estadual, empréstimos e investimentos em áreas como saneamento, trabalho e renda.

Orleans Brandão respondeu defendendo a situação fiscal do Maranhão e afirmou que o Estado avançou nos últimos anos.

“O Maranhão hoje é o segundo estado em solidez fiscal do país. O Maranhão hoje é capacidade de pagamento letra A”, declarou.

O candidato do MDB também defendeu a política de incentivos fiscais como instrumento para atrair empresas e gerar empregos.

“Fizemos isenções fiscais para várias indústrias e empresas em todo o Estado do Maranhão”, afirmou.

Na réplica, Saulo Arcangeli criticou o modelo adotado pelo governo estadual e afirmou que os benefícios fiscais favorecem grandes empreendimentos em detrimento de investimentos sociais.

“O candidato Orleans foge de todas as perguntas. Perguntei por que o seu tio não passa os 5% para a UEMA e para a UEMA-Sul”, afirmou.

Orleans rebateu destacando ações em infraestrutura, geração de emprego e renda e apresentou propostas para ampliar investimentos no Maranhão.

Meio ambiente e mudanças climáticas entram em debate

O tema meio ambiente colocou Orleans Brandão e Roberto Rocha frente a frente. O candidato do MDB citou programas ambientais desenvolvidos pelo governo estadual e questionou Roberto Rocha sobre propostas para conciliar preservação ambiental e desenvolvimento econômico.

Orleans destacou iniciativas como o Maranhão Sem Queimadas e o programa Floresta Viva.

“O Floresta Viva é um programa de reflorestamento, mas ao mesmo tempo gera emprego em parceria com as cooperativas”, afirmou.

Roberto Rocha respondeu defendendo uma relação entre produção e preservação ambiental e afirmou que os dois temas não devem ser tratados como opostos.

“O meio ambiente não precisa estar de um lado e a produção agrícola estar do outro. O desafio é compatibilizar a produção com a proteção”, declarou.

O candidato também destacou projetos de infraestrutura e regularização fundiária relacionados ao desenvolvimento econômico do Estado.

Orleans Brandão, na sequência, voltou a defender ações ambientais da atual gestão e afirmou que pretende ampliar programas de preservação com geração de renda.

Agricultura e agronegócio são discutidos

Roberto Rocha questionou Eduardo Braide sobre propostas para transformar a produção agrícola do Maranhão em uma cadeia de maior valor agregado.

O senador afirmou que o Estado ainda exporta principalmente produtos primários e defendeu a ampliação da agroindústria.

Braide respondeu destacando a necessidade de fortalecer a assistência técnica aos produtores rurais e criticou a atuação da Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural do Maranhão (Agerp).

“Estou falando de falta de assistência técnica. Nós temos a Agerp no governo do Estado e, por onde eu passei conversando com os agricultores familiares, nenhum me disse que a Agerp tinha chegado até o seu município”, afirmou.

O candidato do PSD defendeu a reestruturação do órgão e investimentos para aumentar a produtividade dos agricultores.

Na resposta, Roberto Rocha afirmou que o desenvolvimento econômico depende de projetos de longo prazo e criticou propostas que, segundo ele, não consideram a complexidade da gestão pública.

Desenvolvimento econômico e geração de empregos

Eduardo Braide questionou Saulo Arcangeli sobre como conciliar crescimento econômico e desenvolvimento social no Maranhão.

Saulo afirmou que o modelo econômico do Estado precisa mudar e defendeu a industrialização, a agricultura familiar e a distribuição da riqueza gerada.

“O modelo de desenvolvimento do Estado do Maranhão há 50 anos é um modelo de commodities, exportador, principalmente o agronegócio”, declarou.

O candidato do PSTU afirmou que o Maranhão precisa transformar sua produção em cadeias produtivas capazes de gerar empregos no próprio Estado.

“Nós temos que atrair mais indústrias para o Maranhão, atrair mais empresas, para que o emprego fique aqui”, afirmou.

Combate à pobreza e programas sociais geram confronto entre André Luís e Felipe Camarão

O tema combate à pobreza colocou André Luís e Felipe Camarão em confronto direto.

André Luís questionou a dependência de programas sociais e perguntou quais seriam as propostas para criar oportunidades econômicas para a população.

“O Maranhão é um Estado onde o assistencialismo virou o caminho de perpetuação dessa casta política no poder. Qual é o plano que vocês têm para dar o próximo passo?”, questionou.

Felipe Camarão respondeu reforçando sua ligação com o presidente Lula e defendeu programas sociais como instrumentos de redução da pobreza.

“Se não fosse o presidente Lula, muita gente já estaria passando fome. Você não imagina como as pessoas passam fome ainda nesse Estado”, afirmou.

O petista também apresentou propostas complementares aos programas federais, citando iniciativas como Minha Casa Digna, ampliação de serviços de saúde e apoio à educação.

André Luís criticou a estratégia do PT e afirmou que o Maranhão precisa avançar para um modelo baseado em desenvolvimento econômico.

“Eles não conseguem sonhar com o Maranhão rico e desenvolvido. Qual é o próximo passo?”, declarou.

Saneamento básico encerra confronto entre André Luís e Felipe Camarão

O último tema sorteado foi saneamento básico. Felipe Camarão questionou André Luís sobre propostas para o setor e perguntou sua posição sobre a privatização da Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema).

André Luís afirmou que possui um programa para ampliar o saneamento e questionou a ausência de metas para os municípios.

Felipe Camarão respondeu defendendo a manutenção da Caema como empresa pública.

“Meu compromisso com você da Caema é não privatizar a Caema, é fortalecer, fazer investimento de recursos públicos”, afirmou.

O candidato do PT também defendeu concursos públicos e ampliação da atuação da companhia no interior do Maranhão.

André Luís rebateu afirmando que seu plano prevê metas de desempenho e cobrança dos municípios para melhorar os indicadores de saneamento.

Considerações finais destacam principais bandeiras

Nas considerações finais, os candidatos reforçaram as mensagens centrais de suas campanhas.

Saulo Arcangeli afirmou representar os trabalhadores e criticou desigualdades sociais no Maranhão.

Eduardo Braide destacou sua experiência como prefeito de São Luís e prometeu levar ações realizadas na capital para o interior.

“Eu fui o único que já administrei uma cidade. E a capital, com mais de um milhão de habitantes, a 15ª maior cidade do país”, afirmou.

Roberto Rocha defendeu sua atuação parlamentar e afirmou ter contribuído com projetos para o Maranhão.

Felipe Camarão reforçou sua ligação com Lula e apresentou sua trajetória como gestor público.

“Eu sou candidato do presidente Lula, procurador federal de carreira, professor universitário”, declarou.

André Luís encerrou sua participação defendendo uma mudança no modelo político e econômico do Estado.

“Eu quero que o Maranhão tenha como exemplo um Estado rico, desenvolvido, com a sua família sendo criada ao seu redor”, afirmou.

Orleans Brandão finalizou destacando sua atuação como secretário, programas do governo estadual e propostas para áreas como saúde, educação e geração de emprego.

TST determina reajuste de plano de saúde e fim da greve da Caixa

O TST julgou a greve da Caixa não abusiva, determinando o retorno imediato ao trabalho e reajuste salarial de 100% do INPC mais 0,6% para a categoria

TST determina reajuste de plano de saúde e fim da greve da Caixa

BRASIL - O Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiu nesta terça-feira (29) que a greve dos funcionários da Caixa Econômica Federal não é abusiva. Os ministros julgaram o dissídio coletivo dos trabalhadores, em greve desde 10 de setembro, e decidiram fixar reajuste salarial de 100% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) mais 0,6% para a categoria. A decisão terá validade de dois anos.

O mesmo índice de reajuste deverá ser aplicado aos benefícios de auxílio-refeição/alimentação, auxílio-cesta alimentação, auxílio-creche, auxílio-babá e indenização por assalto ou sinistro.

Além disso, o tribunal determinou o retorno imediato dos trabalhadores ao serviço. Os dias de paralisação não serão descontados, mas devem ser compensados em até 180 dias.  

O principal ponto de impasse entre a categoria e o banco é qual deve ser o modelo de custeio do plano de saúde, o Saúde Caixa.

Os sindicatos pediam a exclusão do teto de 6,5% da folha de pagamento, o retorno à proporção de custeio 70/30 (empresa/empregados) e reajuste zero. Já a Caixa queria mudanças no plano, apontando dificuldades para manter a sustentabilidade financeira no atual formato.

Diante do impasse, os ministros do TST decidiram manter as regras que constavam do acordo coletivo anterior, de 2024 a 2026. Com isso, os valores previstos no plano deverão ser atualizados pelo INPC mais 0,6%, mesmo índice aplicado para o reajuste salarial. Também foram mantidas todas as demais regras, inclusive a mensalidade do titular no valor de 3,5% da remuneração. 

Entre os benefícios englobados estão mensalidades adicionais de dependentes, teto de renda dos beneficiários indiretos, coparticipação para consulta em pronto-socorro e teto de coparticipação.

A decisão também incorporou diversas cláusulas econômicas e sociais previstas no acordo coletivo anterior, que dizem respeito a jornada, horas extras, licença-paternidade e adoção, estabilidade, saúde do trabalhador, diversidade, teletrabalho, prevenção e combate à violência e ao assédio, igualdade salarial, inclusão e negociação permanente.

Entenda

Em decisão no último dia 25, o ministro Mauricio Godinho Delgado, do TST, determinou a manutenção do percentual mínimo de 60% dos empregados da Caixa em serviço por agência, de forma presencial ou remota, sob pena de multa diária de R$ 100 mil para a entidade sindical que descumprir a ordem.

A decisão atendeu parcialmente ao pedido do banco, que solicitava a manutenção de 80% do pessoal em atividade durante a greve, alegando impacto direto em serviços essenciais como compensação bancária e pagamento de benefícios sociais.

No último sábado (26), os trabalhadores apresentaram uma contestação ao TST afirmando que a greve é legítima e não pode ser considerada abusiva, que a responsabilidade pelo impasse nas negociações não pode ser atribuída aos empregados e que questões centrais, como o futuro do Saúde Caixa, não podem ser definidas de forma unilateral pelo banco.

Segundo os empregados, foram realizadas 13 rodadas de negociação, além de mediação com o Ministério Público do Trabalho (MPT), assembleias em todo o país e comunicação prévia à Caixa e à sociedade.

O ministro, no entanto, negou o pedido da Caixa para proibir os trabalhadores de qualquer atividade que dificultasse o livre acesso às agências, salientando que a lei já exige que a greve deve ser pacífica e que não há indícios de que o movimento esteja sendo conduzido com desvios ou excessos.

Previsão: Nordeste terá tempo quente nesta terça-feira (29)

As informações são do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Previsão: Nordeste terá tempo quente nesta terça-feira (29)

SÃO LUÍS - A Região Nordeste terá uma terça-feira de tempo quente, variação de nebulosidade e possibilidade de chuva isolada, principalmente nas áreas litorâneas. No interior, o destaque fica para as temperaturas elevadas, que podem chegar a 39°C. As informações são do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Previsão do tempo em São Luís nesta terça-feira (29)

São Luís terá mínima de 26°C e máxima de 33°C, com possibilidade de chuva isolada durante todo o dia.

Previsão do tempo no Nordeste nesta terça-feira (29)

Em Teresina, os termômetros variam entre 26°C e 39°C. A previsão indica muitas nuvens pela manhã, possibilidade de chuva isolada à tarde e novamente muitas nuvens durante a noite. Fortaleza terá mínima de 25°C e máxima de 33°C, com muitas nuvens pela manhã e à noite e possibilidade de chuva isolada à tarde.

No litoral leste, João Pessoa terá temperaturas entre 23°C e 31°C, com possibilidade de chuva isolada pela manhã e à noite. Recife fica entre 22°C e 31°C, também com possibilidade de chuva isolada em diferentes períodos.

Em Natal, a temperatura varia de 24°C a 31°C, com possibilidade de chuva isolada pela manhã e à noite. Maceió terá mínima de 20°C e máxima de 30°C, com possibilidade de chuva isolada nos períodos da manhã e da noite.

Em Salvador, os termômetros ficam entre 21°C e 28°C, com muitas nuvens pela manhã e possibilidade de chuva isolada durante a noite. Já Aracaju terá temperaturas entre 26°C e 29°C, com muitas nuvens ao longo do dia, mas sem previsão de chuva significativa.

TSE recebeu mais de 50 mil denúncias de propaganda irregular

São Paulo lidera ranking com 10,3 mil denúncias pelo aplicativo Pardal.

TSE recebeu mais de 50 mil denúncias de propaganda irregular

BRASÍLIA - Desde o início da campanha para as eleições gerais de 2026, a Justiça Eleitoral já recebeu 51.395 denúncias de propaganda irregular por meio do aplicativo Pardal, um sistema eletrônico criado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para receber esse tipo de ocorrência.

Os estados com maior número de denúncias são São Paulo (10.388), seguido por Bahia (5.969), Minas Gerais (4.635) e Pernambuco (3.505). Os estados com menor quantidade de denúncias são Tocantins (74), Roraima (104) e Piauí (172).

O principal tipo de denúncia (43,78%) está relacionado a propagandas irregulares ou fora dos padrões em vias públicas. Em seguida vêm as propagandas irregulares em propriedade particular (11,94%), como a pintura de muros fora dos padrões aceitos pelo TSE, e publicidade em bens públicos. Isso inclui murais em prédios públicos ou publicidade institucional.

Durante o período eleitoral esse tipo de publicidade só é permitido em situação excepcional e com autorização da Justiça Eleitoral.

Há também denúncias por propaganda irregular na internet, jornais, revistas e emissoras de rádio e televisão; além de materiais gráficos, como adesivos de carros em tamanho maior que o permitido.

Até agora a Justiça Eleitoral transformou 27% das denúncias recebidas em processos.

Pardal

O aplicativo Pardal pode ser baixado de forma gratuita nas lojas virtuais Google Play para celulares Android e App Store para iPhones. Clique aqui para saber mais sobre como baixar o software.

Para acessar o aplicativo é preciso fazer login com a senha do e-título ou da plataforma Gov.br. O nome do autor da denúncia é mantido em sigilo.

Além de descrever a irregularidade, o denunciante pode anexar fotos, vídeos, áudios ou endereços eletrônicos relacionados.

Nos casos em que a denúncia não se encaixar no escopo do Pardal, a pessoa será encaminhada para canais como o Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (Siade) ou o Ministério Público Eleitoral (MPE) do estado.

Presidente do TSE reclama de interferência em decisões da Corte

Nunes Marques enviou ofício ao presidente do STF, Edson Fachin.

Presidente do TSE reclama de interferência em decisões da Corte

BRASÍLIA - O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, enviou nesta segunda-feira (28) um ofício ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, para reclamar de "indevida sobreposição de competência" sobre as decisões da Justiça Eleitoral.

A manifestação ocorreu após o ministro Flávio Dino derrubar a decisão de André Mendonça, do TSE, e liberar a postagem do humorista Antonio Tabet sobre Nossa Senhora Aparecida.

"Venho manifestar minha elevada preocupação com episódios reiterados de indevida sobreposição de competência e de violação ao juiz natural no âmbito do Supremo Tribunal Federal que vêm impactando diretamente a condução da eleição pelo Tribunal Superior Eleitoral", afirmou o presidente.

Kassio também defendeu mudanças na tramitação dos processos no Supremo para evitar a derrubada das decisões do TSE.

"A extensão, por via reclamatória e mediante decisão monocrática, dos efeitos de provimento jurisdicional a publicações não identificadas, altera a arquitetura constitucional da jurisdição eleitoral e fragiliza a unidade de comando necessária à condução do processo eleitoral", completou.

Mais cedo, Kassio se reuniu presencialmente com Fachin e levou as reclamações pessoalmente.

Entenda o caso

Neste domingo (27), o ministro Flávio Dino atendeu a um pedido do humorista Antonio Tabet para restaurar uma postagem no X sobre Nossa Senhora Aparecida, que havia sido removida por decisão do ministro André Mendonça, no âmbito do TSE. 

O humorista veiculou uma foto de imagem religiosa com a legenda: “a família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida”.

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) acionou a Justiça Eleitoral com a alegação de que o fato era “inverídico” e trazia “discurso de ódio e imputação de crime”. O pedido obteve decisão liminar no TSE para a retirada da postagem e de conteúdos semelhantes sob pena de multa diária de R$ 30 mil. 

Durante a semana, surgiram informações de que grupos evangélicos ligados à campanha de Flávio Bolsonaro defendiam a destituição de Nossa Senhora Aparecida de “Padroeira do Brasil”. O candidato do PL nega.

SUS passa a oferecer cirurgia que trata glaucoma e catarata no mesmo procedimento

Nova técnica é indicada para pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto, em casos leves a moderados, e será incluída no protocolo de tratamento da rede pública.

SUS passa a oferecer cirurgia que trata glaucoma e catarata no mesmo procedimento

BRASÍLIA - O Sistema Único de Saúde (SUS) vai oferecer uma nova opção cirúrgica para pacientes que precisam tratar glaucoma e catarata ao mesmo tempo. A incorporação foi oficializada pelo Ministério da Saúde e permite que os dois problemas sejam abordados em uma única intervenção. 

A medida foi publicada no Diário Oficial da União no dia 17 de setembro. A técnica havia recebido parecer favorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) em 21 de agosto. A proposta foi apresentada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE) do Ministério da Saúde em conjunto com a comissão. 

O procedimento é destinado a pacientes com glaucoma primário de ângulo aberto em estágio leve a moderado. Durante a cirurgia, é possível realizar a retirada do cristalino afetado pela catarata e, na mesma intervenção, atuar no canal responsável pela drenagem do líquido ocular. Segundo o Ministério da Saúde, a técnica é menos invasiva, favorece uma recuperação mais rápida e reduz o risco de complicações.

A nova abordagem será incluída no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do glaucoma. Estão previstas duas possibilidades: a goniotomia excisional, realizada por uma pequena incisão na córnea, e a trabeculotomia transluminal, feita com a introdução de um microcateter ou fio cirúrgico no canal natural de drenagem do olho. 

Atualmente, o tratamento inicial do glaucoma no SUS utiliza colírios para reduzir a pressão intraocular. Quando os medicamentos não produzem o resultado esperado ou há dificuldade para manter o tratamento regularmente, podem ser indicados procedimentos a laser ou cirurgias. 

Além dos benefícios aos pacientes, a incorporação pode reduzir os gastos da rede pública. Segundo dados apresentados pela Conitec, a adoção da goniotomia excisional pode representar economia de R$ 22,4 milhões no primeiro ano e R$ 93,2 milhões no quinto ano. A estimativa acumulada para cinco anos é de R$ 276 milhões, com a substituição da cirurgia que utiliza o iStent, pequeno implante de drenagem usado no tratamento do glaucoma.

Quando e onde a cirurgia estará disponível?

Apesar da incorporação ao SUS já ter sido oficializada, o Ministério da Saúde não informou, no conteúdo divulgado, uma data específica para o início da realização das cirurgias nem indicou quais hospitais ou unidades da rede pública oferecerão o procedimento. A disponibilização dependerá da implementação da nova técnica na rede e de sua inclusão no protocolo de tratamento.

O glaucoma afeta o nervo óptico e pode provocar perda progressiva da visão. De acordo com dados da Conitec citados pelo Ministério da Saúde, a doença atinge até 3% da população brasileira com mais de 40 anos, e o glaucoma primário de ângulo aberto representa aproximadamente 60% dos diagnósticos no país. A catarata, por sua vez, ocorre pela perda de transparência do cristalino e afeta principalmente pessoas idosas.

Eleições 2026: saiba em quantos candidatos votar e a ordem de votação

Colinha em papel evita erros e filas. Celular é proibido na cabine.

Eleições 2026: saiba em quantos candidatos votar e a ordem de votação

BRASÍLIA - O eleitor poderá escolher até seis candidatos no 1º turno das Eleições 2026, que serão realizadas no próximo domingo, dia 4 de outubro. 

Cada cargo é identificado por uma sequência numérica: para votar em deputado federal, é necessário teclar 4 dígitos na urna eletrônica. Para deputado estadual, são 5 números. Para senadores, 3 dígitos. Já para governador e presidente da República, são 2 dígitos.

A ordem de votação na urna eletrônica será: 

  • Deputado federal (quatro dígitos)  
  • Deputado estadual ou distrital (cinco dígitos) 
  • Primeiro senador (três dígitos) 
  • Segundo senador (três dígitos) 
  • Governador (dois dígitos) 
  • Presidente da República (dois dígitos)

Cola 

A Justiça Eleitoral recomenda que os eleitores anotem os números dos seis candidatos em um papel antes de irem às zonas eleitorais. A medida ajuda a evitar erros e também contribui para reduzir filas.

A colinha em papel é importante porque não será permitido entrar com o celular na cabine de votação. A restrição proíbe também o uso de câmeras fotográficas, filmadoras ou qualquer outro equipamento eletrônico, mesmo que desligados. Os aparelhos deverão ser deixados perto dos mesários. A medida tem a finalidade de proteger o sigilo do voto. 

O celular poderá ser utilizado apenas para a identificação do eleitor aos mesários por meio do aplicativo e-Título (desde que mostre a foto do eleitor) ou pela apresentação de outros documentos oficiais em formato digital, como a CNH Digital e o RG Digital. 

“São seis cargos, muitos dígitos, ou seja, muito para se decorar. Essa demora ou dúvida gera um efeito dominó nas filas. Nosso recado é direto: anote tudo em um papelzinho e leve-o com você, já que o celular não pode entrar na cabine. O lembrete tradicional em papel continua sendo o melhor amigo do eleitor para uma votação rápida”, destaca a coordenadora de Mídias e Web do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Rakell Dimanski.

Identificação 

Além dos documentos digitais, o eleitor poderá se identificar na seção eleitoral com qualquer documento oficial com foto.

Veja com quais documentos é possível votar:

  • carteira de identidade,
  • Carteira de Identidade Nacional (CIN),
  • identidade social,
  • passaporte,
  • Carteira Nacional de Habilitação (CNH),
  • carteira de trabalho física,
  • carteira profissional emitida por conselho de classe.

Os documentos oficiais com foto podem ser utilizados mesmo que estejam vencidos, desde que permitam a identificação do eleitor. 

Mais de 30 mil crianças foram vacinadas contra doenças pneumocócicas no Maranhão

Em todo o Brasil, mais de 1 milhão de crianças receberam o imunizante pelo SUS desde junho.

Mais de 30 mil crianças foram vacinadas contra doenças pneumocócicas no Maranhão

SÃO LUÍS - Mais de 30,1 mil crianças menores de 5 anos já foram vacinadas com a Pneumo 20 pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Maranhão. Em todo o Brasil, mais de 1 milhão de crianças dessa faixa etária receberam o imunizante desde o início da estratégia nacional de vacinação, em junho deste ano. Incorporada ao Calendário Nacional de Vacinação em 2026, a vacina protege contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, ampliando a proteção contra doenças pneumocócicas, como pneumonia e meningite.

“A inclusão da Pneumo 20 no SUS amplia o acesso das crianças à proteção contra doenças causadas por 20 sorotipos da bactéria pneumococo. Na rede privada, o valor da vacina pode chegar a R$ 600. Desde a incorporação ao Calendário Nacional de Vacinação, mais de 1 milhão de crianças já receberam a vacina no país”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

A Pneumo 20 oferece cobertura mais abrangente porque inclui também os sorotipos 3, 6A e 19A, associados à doença pneumocócica invasiva no Brasil, e protege contra a otite média, que pode causar complicações, incluindo perda auditiva.

A vacinação é a principal forma de prevenir as formas graves das doenças pneumocócicas. Além de proteger cada criança vacinada, a ampliação da cobertura contribui para reduzir internações, complicações e mortes, especialmente na primeira infância, período em que as crianças estão entre os grupos mais vulneráveis.

Entre 2023 e 2025, o Brasil registrou 4,6 mil casos de meningite pneumocócica e 1,4 mil mortes pela doença, com taxa de letalidade de 30%. Entre crianças menores de 5 anos, foram registrados 589 casos e 187 óbitos no período.

Como fica o esquema vacinal

Com a incorporação da Pneumo 20 ao Calendário Nacional de Vacinação, a Pneumo 10 será substituída gradualmente no esquema infantil. Durante esse período, os estoques disponíveis da Pneumo 10 continuarão sendo utilizados. Por isso, temporariamente, o esquema combinará as duas vacinas.

A vacinação será realizada da seguinte forma:

  • Crianças que estão iniciando o esquema: recebem a Pneumo 20 aos 2 meses, a Pneumo 10 aos 4 meses e o reforço da Pneumo 20 aos 12 meses. O intervalo mínimo entre a segunda dose e o reforço é de 60 dias.
  • Crianças que já completaram o esquema com a Pneumo 10: não precisam receber uma dose adicional da Pneumo 20.
  • Crianças que começaram o esquema com a Pneumo 13 ou a Pneumo 15 na rede privada: podem completar a vacinação com a Pneumo 20 pelo SUS, respeitando os intervalos recomendados.

Após o término dos estoques da Pneumo 10, todas as doses do esquema infantil serão realizadas com a Pneumo 20.

Pais e responsáveis devem manter a caderneta de vacinação das crianças atualizada e procurar uma unidade de saúde para verificar se há doses pendentes. O histórico de vacinação também pode ser acompanhado pela Caderneta Digital de Saúde da Criança, disponível no aplicativo Meu SUS Digital.

Seca avança no Maranhão e já atinge 83% do território estadual, aponta ANA

Dados do Monitor de Secas registraram aumento da área afetada entre julho e agosto; fenômeno também ficou mais intenso no período.

Seca avança no Maranhão e já atinge 83% do território estadual, aponta ANA

MARANHÃO - A seca avançou no Maranhão entre julho e agosto e passou a atingir 83% do território estadual, segundo a atualização mais recente do Monitor de Secas, divulgado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). No mês anterior, o fenômeno alcançava 45% da área do estado.

Com o avanço registrado no período, o Maranhão teve em agosto a maior área afetada pela seca desde fevereiro deste ano. Além do aumento da extensão, o fenômeno também apresentou maior intensidade em algumas regiões.

Seca moderada volta a ser registrada no Maranhão

A atualização do Monitor de Secas aponta que a seca moderada, que não havia sido registrada no estado em julho, voltou a aparecer em agosto e atingiu 4% do território maranhense.

Segundo o levantamento, essa é a maior área com presença de seca moderada no Maranhão desde fevereiro de 2025.

Apesar do avanço do fenômeno, o Maranhão apresentou em agosto a condição menos severa entre os estados da região Nordeste. No período, o Nordeste concentrou a maior proporção de área afetada pela seca entre todas as regiões acompanhadas pelo Monitor, com 90% do território atingido.

Seca avança no Nordeste

O Nordeste registrou em agosto o cenário de seca mais intenso entre as cinco regiões monitoradas no país. A seca grave atingiu 16% da área nordestina.

Além do Maranhão, outros estados da região também tiveram aumento da área afetada entre julho e agosto, como Alagoas, Bahia, Ceará, Piauí e Sergipe.

O Piauí, que faz divisa com o Maranhão, chegou a agosto com seca em 100% do território estadual. No estado, a seca grave voltou a ser registrada e passou a atingir 6% da área.

No Brasil, a área total afetada pela seca aumentou de 52% para 67% do território nacional entre julho e agosto. Ao todo, 17 estados registraram intensificação do fenômeno no período, incluindo Maranhão, Acre, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins.

Como funciona o Monitor de Secas

O Monitor de Secas acompanha mensalmente a intensidade e a extensão do fenômeno em todo o Brasil. A ferramenta reúne indicadores climáticos e informações sobre os impactos causados pela redução das chuvas para classificar a situação de cada região.

A análise considera impactos de curto prazo, relacionados a períodos recentes de até seis meses com déficit de precipitação, e impactos de longo prazo, observados em períodos superiores.

Os dados do Monitor de Secas são utilizados como apoio para o planejamento de ações e políticas públicas voltadas ao enfrentamento dos efeitos da estiagem. O mapa é elaborado todos os meses com a participação de instituições estaduais e uma rede de órgãos parceiros.

Post usa humor para levar eleitor a errar número de urna no dia da votação

Conteúdo ensina "macete" inexistente para escolher Jair Bolsonaro, que está inelegível, e dar voto a Lula.

Post usa humor para levar eleitor a errar número de urna no dia da votação

Eleições

Conteúdo ensina "macete" inexistente para escolher Jair Bolsonaro, que está inelegível, e dar voto a Lula.

Ao contrário do que sugerem publicações que circulam nas redes sociais, não existe uma sequência de teclas capaz de registrar o voto em favor de Jair Bolsonaro (PL) nas eleições deste ano. Conteúdos publicados no X apresentam uma suposta forma de votar no ex-presidente ao digitar uma combinação de números e acionar a tecla “Corrige”, mas a urna eletrônica registra o voto apenas de acordo com o cargo em disputa e com os números de candidatas, candidatos ou legendas habilitados para aquela eleição.

Uma das sequências divulgadas orienta o eleitor, em tom de humor, a digitar “2-Corrige-2-2-Corrige-Corrige-1-3-Confirma” na votação para presidente. Como a tecla “Corrige” apaga os números digitados anteriormente, ao final da sequência permanecem apenas os últimos dígitos inseridos, ou seja, 13. Jair Bolsonaro não é candidato – ele está inelegível até 2060 –  e, por isso, não há como seu nome aparecer na urna.

A combinação sugerida induz o voto no número 13. Se o eleitor seguir a orientação da publicação, poderá acabar votando no candidato do PT, no caso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que concorre à reeleição. 

Como funcionam as urnas eletrônicas

Nas eleições majoritárias, quando os números digitados não correspondem a uma candidatura presente na urna, o voto é registrado como nulo após a confirmação. A urna também não interpreta a mesma sequência numérica como um voto automático para determinado partido ou candidato em todos os cargos. 

Em 2026, o eleitor votará, nesta ordem, para deputado federal, deputado estadual ou distrital, senador para a primeira vaga, senador para a segunda vaga, governador e presidente. Os votos são registrados separadamente para cada cargo.

Nas eleições proporcionais, para deputado federal e deputado estadual ou distrital, o eleitor pode votar na legenda ao digitar apenas os dois primeiros números correspondentes ao partido. Já nas eleições majoritárias, para presidente, governador e senador, a digitação de números que não correspondam a uma candidatura habilitada resulta em voto nulo. Antes da confirmação, a própria urna informa quando o voto será considerado nulo.

Quem criou o conteúdo investigado pelo Comprova 

Uma das publicações verificadas pelo Comprova foi feita por um perfil no X que tinha cerca de 26 mil seguidores e 194 mil publicações em 24 de setembro. O post sobre a urna eletrônica alcançou aproximadamente 265 mil visualizações, 16 mil curtidas e 1 mil compartilhamentos.

Na publicação, o autor apresenta a sequência como um suposto “macete” para votar em Bolsonaro e chama o ex-presidente de “personagem secreto” das eleições de 2026. O conteúdo tem características de humor e paródia, mas a sequência numérica é apresentada no formato de uma instrução prática, o que permite que ela seja compartilhada ou reproduzida fora do contexto original da piada.

Nas interações posteriores, o próprio autor trata o conteúdo como uma piada. Usuários, no entanto, discutem a possibilidade de a sequência funcionar e fazem referência ao funcionamento da urna eletrônica. A publicação também foi republicada por outros usuários, o que ampliou sua circulação.

Por que as pessoas podem ter acreditado

A publicação combina humor com o formato de uma instrução prática. Ao apresentar uma sequência de teclas e chamar Bolsonaro de “personagem secreto” das eleições, cria a aparência de um procedimento capaz de registrar o voto no ex-presidente. O uso de números, da tecla “Confirma” e de referências à urna reforça essa aparência.

O conteúdo também explora o funcionamento da tecla “Corrige”, que apaga os números digitados anteriormente. Assim, a sequência pode dar a impressão de que vários comandos estão sendo acumulados, quando, na prática, os números anteriores são descartados antes da confirmação. Diferentemente de uma cola eleitoral, que apenas ajuda o eleitor a lembrar o número do candidato escolhido, a sequência apresentada orienta uma combinação de comandos na própria urna.

Quando compartilhada fora do contexto humorístico original, a publicação pode ser interpretada como uma instrução verdadeira. Quem reproduzir a sequência pode confirmar um voto diferente do pretendido ou anular o voto, caso os números que permanecerem na tela não correspondam a uma candidatura habilitada.

Bolsonaro pode voltar a ser candidato em 2026?

Jair Bolsonaro não pode disputar as eleições de 2026 porque está inelegível por duas decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e teve os direitos políticos suspensos após a condenação pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). As duas decisões produzem efeitos distintos, mas impedem sua candidatura atualmente. O TSE o declarou inelegível por oito anos, contados a partir das eleições de 2022, em dois processos relacionados a abuso de poder político e econômico. O prazo abrange as eleições deste ano.

Além disso, Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão pelos crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado. A condenação tornou-se definitiva e, por isso, também se aplica o artigo 15, inciso III, da Constituição Federal, que prevê a suspensão dos direitos políticos enquanto durarem os efeitos de uma condenação criminal transitada em julgado.

O doutor em Direito Constitucional pela PUC-SP e professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) Sandro Rogério Monteiro de Oliveira explica que os dois impedimentos têm naturezas diferentes. “Hoje há dois aspectos jurídicos relevantes: a inelegibilidade determinada pela Justiça Eleitoral e a suspensão dos direitos políticos decorrente da condenação criminal definitiva”, afirma. 

Assim, diferentemente do que sugerem os posts, não há atualmente um mecanismo que permita a Bolsonaro simplesmente voltar a ser candidato. O impedimento também se estende às próximas eleições enquanto permanecerem vigentes as decisões que restringem sua capacidade eleitoral.

Fontes que consultamos: Foram consultados os sites do Supremo Tribunal Federal (STF) e Tribunal Superior Eleitoral (TSE), bem como a Constituição Federal de 1988, reportagens do g1 e foi ouvido o doutor em Direito Constitucional Sandro Rogério Monteiro Oliveira.  

Por que o Comprova investigou essa publicação: O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, saúde, mudanças climáticas, eleições e golpes virtuais e abre investigações sobre aquelas publicações que obtiveram maior alcance e engajamento. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.

Outras checagens sobre o tema: A Justiça Eleitoral já mostrou que o sistema das urnas eletrônicas não permite alteração do voto e também que são falsas as publicações que induzem o eleitor a esperar por uma mensagem “confirme seu voto” para finalizar a votação. 

Notas da comunidade: Nas publicações checadas pela equipe do Comprova na plataforma X, não há notas da comunidade sobre o tema.