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Renovação da Câmara dos Deputados chegou a 35%; veja nova composição

Bancada feminina bate recorde, mas vagas de negros e indígenas caem.

Renovação da Câmara dos Deputados chegou a 35%; veja nova composição

BRASÍLIA - Com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Câmara dos Deputados confirmou que entre os 513 deputados federais eleitos neste domingo (4), 183 vão exercer seu primeiro mandato. Esse número representa uma taxa de renovação de 35,67% dos integrantes da Casa. Os parlamentares representarão os estados e o Distrito Federal na 58ª legislatura, de 1º de fevereiro de 2027 a 31 de janeiro de 2031.

Enquanto isso,  301 deputados federais foram reeleitos, o que representa 58,6% do total de parlamentares eleitos titulares nas eleições de outubro de 2022 ou os suplentes que foram efetivados como titulares do cargo, ao longo desta 57ª legislatura.

Há ainda 29 ex-deputados federais em legislaturas anteriores à atual que voltarão à Câmara.

De acordo com a Câmara dos Deputados, o índice de novos deputados (35,6%) mantém a média de oxigenação da Casa, em relação à eleição anterior, de 2022 (39,3%).

Pretos e pardos eleitos

Os eleitos autodeclarados pretos e pardos conquistaram 135 cadeiras da Câmara dos Deputados, o que corresponde a 26,3% do total de 513 deputados federais da próxima legislatura. O número representa o encolhimento de 2,9% da bancada negra, em relação aos parlamentares federais pretos e pardos eleitos em 2022, que somou 139.

No recorte de raça e cor, a base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou, ao todo, 10.206 candidaturas de pessoas negras para todos os cargos eletivos do pleito de 2026, que correspondem a 49,64% do total.

Indígenas

Entre os eleitos autodeclarados indígenas, apenas três candidatos garantiram mandato de quatro anos na Câmara dos Deputados para seguir em defesa dos povos originários e de seus territórios. São eles: o deputado reeleito Paulo Guedes (PT-MG), com 126.891 votos; a deputada Juliana Cardoso (PT-SP), reeleita com 111.904 votos; e a primeira ministra dos Povos Indígenas, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Sônia Guajajara (PSol-SP), deputada federal com reeleita 54.207 votos (por quociente eleitoral).

Com este número, a bancada indígena minguou para aproximadamente 0,58% dos 513 deputados, na comparação com a eleição de 2022, quando cinco indígenas tinham sido eleitos para a Câmara. Antes deles, apenas Mário Juruna (PDT-RJ) tinha exercido o cargo, entre 1982 e 1986; e em 2018, Joenia Wapichana (Rede-RR), conseguiu uma vaga na Câmara, tornando-se a primeira mulher indígena a ser eleita para esta função.

Ao todo, a Justiça Eleitoral registrou 73 candidaturas de pessoas indígenas a deputado federal.

Gênero

Neste domingo (4), 108 mulheres foram eleitas para a próxima legislatura da Câmara dos Deputados, o que torna esta a maior bancada feminina da Casa de todos os tempos.

O número representa aumento de 18,68% em comparação com 2022, ou seja, 17 mulheres a mais do que as 91 eleitas no pleito anterior.

A advogada e professora doutora de Direito Constitucional Damares Medina comemora o número histórico de mulheres, mesmo que estas tenham posicionamentos políticos distintos em relação a pautas prioritárias.

“Porque não importa, cada uma a seu modo e à sua forma, traz a mensagem de que lugar de mulher é onde é ela quiser. Não vou submeter uma representante popular eleita a um escrutínio hermenêutico que o homem não é submetido.”

Partido

O Partido Liberal (PL) elegeu a maior bancada da Câmara dos Deputados e ampliou a bancada para 121 deputados na próxima legislatura. São 24 a mais que na eleição anterior, considerando projeção feita com base em 99,9% dos votos apurados, quando não há mais possibilidade de alteração do resultado.

A profissional do Direito explica o peso de ter a maior bancada da Casa. “É importante porque cada cadeira é poder. Cada uma delas significa influência, o jogo e vetores do que vai definir como a autoridade no Congresso Nacional é distribuída”, disse Damares.

A segunda colocada entre as bancadas foi a Federação Brasil da Esperança, formada pelas seguintes siglas: Partido dos Trabalhadores, Partido Comunista do Brasil e Partido Verde (PT-PCdoB-PV), com 88 deputados – seis a mais que na última eleição.

Confira a distribuição das bancadas partidárias na Câmara dos Deputados eleita:

  • PL: 121 deputados;
  • Federação Brasil da Esperança (PT / PCdoB / PV): 88;
  • Federação União Progressista (União / PP): 87;
  • PSD: 43;
  • Republicanos: 41;
  • MDB: 36;
  • Pode (Podemos): 27;
  • PSB: 15;
  • Federação PSol / Rede Sustentabilidade: 15;
  • PSDB / Cidadania: 11;
  • Novo: 10.
  • PRD / Solidariedade: 7
  • PDT: 6
  • Avante: 5
  • Missão: 1

A advogada ouvida pela Rádio Nacional explica que a formação de grandes blocos partidários garante prioridades. “Uma vez formados, esses blocos têm imenso poder na distribuição de orçamento, na distribuição de emendas parlamentares.”

Damares Medina também interpreta o recado dado pelos eleitores, neste domingo, ao eleger mais parlamentares do espectro conservador no Congresso, em um deslocamento radical entre os campos de poder opostos. Ela identifica que este não é um movimento recente.

“Se analisarmos a série histórica, desde 1988, na Constituição [Federal], podemos identificar que, pouco a pouco, o espectro político esquerdo foi perdendo a disputa ideológica, o debate intelectual”, avaliou advogada constitucionalista.

Mais votados

A eleição também produziu novos recordes de votação. O deputado reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG), de 30 anos, superou 3,11 milhões de votos e se tornou o deputado mais votado da história do país. Nikolas superar os próprios números da eleição passada (2022), quando foi o deputado mais votado do país, com 1,47 milhão de votos.

Em segundo lugar entre os mais votados para a Câmara, com 3.038.438 de votos, chegou Lucas Pavanato (PL), de 28 anos que, atualmente, é vereador do município de São Paulo e youtuber. A marca é quase o dobro da segunda colocada, a deputada Erika Hilton (PSol-SP), reeleita com 1.596.472 votos. A parlamentar que, atualmente, preside a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara, foi a recordista de votos da bancada feminina.

ONU vive momento crítico, diz Lula ao citar indignação com guerras

Declaração foi feita na abertura da Assembleia Geral da organização.

ONU vive momento crítico, diz Lula ao citar indignação com guerras

NOVA YORK (ESTADOS UNIDOS) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira (22) que a Organização das Nações Unidas (ONU) vive, desde 2003, seu momento mais crítico. “A ONU está falhando em uma de suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa”.

“O sentimento que me move hoje é o da indignação”, disse . “A capacidade da ONU de proteger os mais vulneráveis, os que não têm exércitos nem arsenais, nunca foi tão pequena”, completou.

A declaração foi feita durante a abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Em sua fala, Lula lembrou que essa é a 10ª vez em que abre o debate geral e, da tribuna, voltou a criticar especificamente o trabalho do Conselho de Segurança da organização.

“Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel”, disse. “Em 1946, já na primeira sessão dessa assembleia, o Brasil alertava para o alto preço que a comunidade internacional pagaria pelo direito de veto. Esse vício conferiu às grandes potências o privilégio da insensatez”.

Lula se reúne com secretário-geral da ONU

Antes do pronunciamento, Lula se reuniu com o secretário-geral da ONU, António Guterres. O presidente brasileiro subiu à tribuna logo no início da sessão, antes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Na segunda-feira (21), Lula se reuniu, já em Nova York, com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e com o senador americano Bernie Sanders.

Após o discurso na assembleia geral da ONU, ele deve deixar Nova York ainda nesta terça-feira. O embarque está previsto para 13h50 no horário local, 14h50 no horário de Brasília, com chegada à capital federal prevista para as 23h40.

Deputado vira réu no STF por injúria contra o presidente Lula

Colegiado aceitou denúncia da PGR por unanimidade.

Deputado vira réu no STF por injúria contra o presidente Lula

BRASÍLIA - A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta terça-feira (18) tornar réu o deputado federal Gilvan da Federal (PL-ES) pelo crime de injúria contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Por unanimidade, o colegiado aceitou denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o parlamentar. Em abril do ano passado, Gilvan desejou a morte de Lula, durante discurso na sessão da Comissão de Segurança Pública da Câmara e ainda proferiu outros xingamentos. Em seguida, o deputado postou sua fala nas redes sociais.

Ministros falam sobre imunidade parlamentar

Os ministros seguiram voto da relatora, ministra Cármen Lúcia. Para a ministra, a imunidade parlamentar foi concedida pela Constituição para garantir o exercício da atividade parlamentar, mas não pode ser invocada no caso do deputado.

"Foram excessos que teriam levado a ofensas diretas, alheias ao exercício do mandato e reproduzidas pelas redes sociais", afirmou. 

Alexandre de Moraes acompanhou o voto da relatora e disse que ofensas praticadas por parlamentares se tornaram rotineiras.

"A imunidade parlamentar não foi feita para ofender pessoas, para agredir. Foi feita para discutir assuntos, fiscalizar os demais poderes", pontuou.

Flávio Dino proferiu o último voto sobre a questão e afirmou que a imunidade não é absoluta.

O ministro Cristiano Zanin se declarou impedido e não participou do julgamento. Antes de ser nomeado para o Supremo, Zanin atuou como advogado de Lula. 

Durante a tramitação do processo, a defesa do deputado solicitou o arquivamento da denúncia e sustentou que as falas estão acobertadas pela imunidade parlamentar. 

Câmara aprova redução de impostos para combustíveis e outros setores

Arrecadação extra vai desonerar etanol, gasolina, querosene de aviação.

Câmara aprova redução de impostos para combustíveis e outros setores

BRASÍLIA - A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (12) o Projeto de Lei Complementar (PLP) 114/2026, que estabelece redução de alíquotas de tributos federais sobre a importação, a produção e a comercialização de óleo diesel rodoviário, biodiesel, gasolina, etanol e querosene de aviação. Foram 318 votos favoráveis, 113 contrários e uma abstenção.

O texto agora vai para votação no Senado. O objetivo da medida é mitigar os efeitos do aumento dos preços dos combustíveis decorrente da guerra dos Estados Unidos (EUA) contra o Irã no Oriente Médio, que fechou a principal rota de exportação do petróleo na região, provocando fortes oscilações na cotação do barril.

A perda de arrecadação, de acordo com o texto, será compensada pelo aumento extraordinário de receitas da União obtidas por causa do aumento no valor do petróleo, que ampliou os royalties e outras participações desde o início do ano.

"Somente entre janeiro e março de 2026, a arrecadação federal chegou a R$ 28 bilhões, contra R$ 9 bilhões no mesmo período em 2025, um crescimento real superior a 200%", destacou a relatora do projeto, Marussa Boldrin (Republicanos-GO).

Marussa apresentou um substitutivo ao texto original, de autoria do deputado Paulo Pimenta (PT-SP), ampliando ainda mais o alcance da proposta para além do setor de combustíveis derivados do petróleo. Os benefícios fiscais passaram a incluir os setores de etanol, fertilizantes agrícola e pesquisa de minerais críticos e terras raras, além da desoneração fiscal para a Copa do Mundo de Futebol Feminino, em 2027.

A inclusão do etanol e dos biocombustíveis busca impedir que subsídios à gasolina ou ao diesel eliminem a vantagem tributária dos combustíveis não fósseis. A diferença deverá ser equivalente à praticada antes do conflito, tanto em termos percentuais quanto aos valores absolutos por unidade de medida. Se a tributação federal da gasolina cair 30% ou mais, as alíquotas do etanol serão reduzidas a zero.

Neste ano, o governo concederá subvenção de R$ 1,2 bilhão aos produtores de etanol hidratado para garantir a diferenciação nos preços da gasolina e do etanol. Produtores de etanol, inclusive cooperativas, poderão compensar até R$ 750 milhões em débitos com a Receita Federal.

A compensação será feita por meio de saldos credores da contribuição para o PIS/Pasep da Cofins. O valor será proporcional ao percentual de produção de etanol hidratado em 2025 dos contribuintes habilitados.

Produtores rurais

Entre as medidas para os produtores rurais, o texto reduz de 50% para 30% o limite da receita com exportação para que a empresa possa se enquadrar na suspensão do pagamento do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS). 

A União poderá conceder até R$ 5 bilhões em créditos fiscais para a produção de fertilizantes, matérias-primas, remineralizadores e bioinsumos entre 2027 e 2031. Os créditos serão de até R$ 1 bilhão por ano. O valor corresponderá a até 20% dos gastos com produção de fertilizantes e matérias-primas em território nacional.

As mercadorias destinadas a projetos de desenvolvimento da indústria de fertilizantes e matérias-primas ficarão isentas do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM). A renúncia de receita deverá ser de até R$ 200 milhões por ano.

A proposta também prevê medidas como regras para a destinação de recursos a hospitais inteligentes de alta complexidade e benefício fiscal para a Fifa pela realização da Copa do Mundo de Futebol Feminino, que será sediada no Brasil.

Acordo com o governo

A votação deste Projeto de Lei Complementar foi viabilizada após acordo do governo com lideranças do Congresso Nacional, com participação dos ministérios do Planejamento e da Fazenda. Pela manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se reuniram no Palácio da Alvorada para definir as prioridades legislativas deste período de esforço concentrado no Parlamento.

Também participaram do encontro o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães e a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE).

O Congresso Nacional retomou a agenda legislativa essa semana, após o recesso parlamentar, em um esforço concentrado para votações em plenário e nas comissões. De acordo com os presidentes da Câmara e do Senado, serão duas semanas de esforço concentrado antes das eleições: entre 10 e 14 de agosto, e entre 31 de agosto e 3 de setembro.

Flávio Bolsonaro lança candidatura em evento com Milei, Tarcísio e Bolsonaro de IA

Convenção do PL oficializou senador na disputa ao Planalto, reforçou protagonismo de Jair Bolsonaro e exibiu mensagens de aliados políticos.

Flávio Bolsonaro lança candidatura em evento com Milei, Tarcísio e Bolsonaro de IA

A convenção nacional do Partido Liberal (PL) oficializou, nesse sábado (25/7), em São Paulo, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Sem anunciar candidato a vice e nem apresentar novas alianças nacionais para a disputa de 2026, o parlamentar foi lançado em um evento marcado pela centralidade da figura do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O encontro também contou com fortes críticas ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), discursos em defesa de pautas ligadas à segurança pública, manifestações religiosas e mensagens de apoio de lideranças nacionais e internacionais, entre elas o presidente da Argentina, Javier Milei, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

O que disse Flávio 

Flávio Bolsonaro iniciou seu discurso agradecendo aos presentes e pedindo força para que pudesse “resgatar” o país.

“Peço a Deus sabedoria e força para resgatar o Brasil.”

Em seguida, prestou homenagem ao pai e à ex-primeira-dama: “Minha saudação aos que não podem estar presentes aqui hoje, em especial, a Michelle, e ao meu pai, Bolsonaro”, disse, antes de definir o ex-presidente como “o maior e mais injustiçado líder brasileiro, vítima da maior farsa que esse país já presenciou.”

O senador também destacou o peso político de carregar o sobrenome Bolsonaro. “Sei exatamente o tamanho da responsabilidade que meu nome carrega: filho mais velho do capitão que deu voz a milhares de brasileiros, um país que não aguenta mais ser refém do medo”, afirmou.

Em outro momento, dirigiu-se diretamente ao pai: “Pai, vou te honrar. Você vai colocar essa faixa de presidente em mim em janeiro do ano que vem.” Ao longo do discurso, criticou o Judiciário e voltou a mencionar os presos pelos atos de 8 de janeiro de 2023.

Javier Milei critica Lula, o socialismo e a careca de Moraes

Além do protagonismo de Bolsonaro, a convenção deu espaço a convidados internacionais. O presidente argentino Javier Milei foi um dos participantes mais aplaudidos e concentrou sua fala em críticas ao socialismo e ao governo Lula.

“Um grande prazer estar nesse país com especial importância em tempos como esses”, declarou. Em seguida, continuou: “Não queremos que outros padeçam, parte de nossa missão é advertir outras nações para que mudem a tempo.”

Milei disse ainda que tem percorrido outros países para falar “contra as mentiras do socialismo”, criticou a condução da economia brasileira e afirmou que “Lula não resolveu o ajuste fiscal e está piorando a economia do país”.

O argentino também declarou que “quando perdem, a direita tem que resolver todos os problemas causados pela esquerda” e fez referência ao ex-presidente brasileiro ao dizer: “Voltaremos a dar um abraço.”

Quem também foi alvo do presidente foi o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Milei, que foi impedido por Moraes de encontrar Jair Bolsonaro, que encontra-se em prisão domiciliar, chamou o ministro de “lixo careca”

Bolsonaro aparece com uso de IA

Embora impedido por decisão do ministro do STF, Alexandre de Moraes, de realizar manifestações políticas, Jair Bolsonaro esteve presente simbolicamente ao longo de toda a convenção. Além de ser citado por praticamente todos os oradores, o ex-presidente apareceu em um vídeo produzido com inteligência artificial.

Na gravação, a voz sintetizada esclarece: “Isso que vocês estão vendo aqui não sou eu, é uma simulação da minha imagem e da minha voz feita com inteligência artificial”. Em seguida, a mensagem afirma: “Estou preso e calado por uma decisão injusta e arbitrária baseada em algo que eu nunca fiz.”

Durante toda a fala do “pai”, Flávio aparentou estar emocionado. 

Tudo em paz com Michelle 

A ausência de Bolsonaro também foi tema da mensagem gravada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, exibida durante o evento. Ela explicou que permaneceu ao lado do marido durante sua recuperação e afirmou que sua ausência carregava um significado político.

“Hoje é justamente porque ele não pode estar aí, sua ausência fala muito mais alto. Ela carrega a força de mais de 58 milhões de brasileiros que depositaram nele sua confiança e continuam acreditando no Brasil que ele representa”, declarou.

Em outro trecho, acrescentou que seu “galego” não estaria presente fisicamente, mas que o coração estaria junto aos eleitores. “O meu galego não pode estar com vocês. Eu também não posso, porque estou em casa cuidando dele. Mas os nossos corações estão aí, sentindo a mesma energia que nós dois tantas vezes encontramos nos eventos do PL Mulher por todo o Brasil.”

Michelle também direcionou parte de seu discurso ao eleitorado feminino, defendendo uma participação mais ampla das mulheres na política. “Somos 53% do eleitorado. Chegou a hora de vocês ocuparem os lugares em todos os espaços onde o futuro do Brasil é decidido”, afirmou.

Ao encerrar a gravação, desejou sucesso ao senador: “Flávio, que Deus abençoe e proteja a sua candidatura. Que ele te dê sabedoria, coragem e força — a você e à sua família — para cumprir esta missão com a lealdade e a verdade que o nosso povo merece.”

Aceno de Netanyahu

Outra participação internacional ocorreu por meio de um vídeo enviado pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, apresentado como uma das “surpresas” preparadas para Flávio Bolsonaro durante a convenção. Na gravação, o premiê dirigiu-se diretamente ao senador: “Flávio, meu amigo, quero parabenizá-lo pelo lançamento oficial da sua candidatura.”

A mensagem ocorre em um contexto de aproximação entre lideranças do bolsonarismo e autoridades israelenses, fortalecida nos últimos anos.

Nikolas também diz “oi”

A última surpresa exibida no telão foi uma mensagem do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), gravada ao lado do deputado Domingos Sávio (PL-MG) e do empresário Flávio Roscoe, pré-candidato do partido ao Senado por Minas Gerais. O parlamentar afirmou que pretendia participar presencialmente da convenção, mas declarou apoio ao senador e ressaltou a importância eleitoral do estado.

“Venho deixar um recado para vocês: nós já vencemos uma vez e a gente vai vencer de novo. A gente está fechado com o Flávio, toda a nossa base de Minas Gerais também. A gente sabe que Minas Gerais é um estado-chave, quem ganha aqui ganha no Brasil.”

Em seguida, defendeu que uma eventual vitória do senador representaria o retorno da direita ao Palácio do Planalto e uma forma de “fazer justiça” aos presos pelos atos de 8 de janeiro e ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Apesar da demonstração de força do PL, Flávio Bolsonaro chega à disputa presidencial sem um candidato a vice definido e sem alianças nacionais formalizadas. A tendência, segundo as articulações políticas em curso, é que partidos como PP, União Brasil e Republicanos mantenham posição de neutralidade na eleição presidencial, permitindo que seus diretórios estaduais definam livremente os palanques que apoiarão.

*Correio Braziliense

Brasil convoca embaixador na Argentina após ofensas de Milei a Lula

Decisão representa um novo capítulo da tensão diplomática entre Brasil e Argentina.

Brasil convoca embaixador na Argentina após ofensas de Milei a Lula

BRASÍLIA - O Ministério das Relações Exteriores convocou para consultas o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, após declarações do presidente argentino, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão foi anunciada neste domingo (26) e representa um novo episódio de tensão diplomática entre os dois países.

As declarações de Milei foram feitas no sábado (25), durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL), em São Paulo. Na ocasião, o presidente argentino fez críticas a Lula e a integrantes do governo brasileiro.

A convocação de um embaixador para consultas é um procedimento diplomático utilizado quando um país considera necessário avaliar o relacionamento bilateral diante de fatos considerados relevantes. A medida não significa o rompimento das relações diplomáticas, mas demonstra o descontentamento do governo brasileiro com as declarações.

Governo brasileiro reage às declarações

Segundo o Itamaraty, a decisão foi tomada em resposta às falas de Javier Milei. O embaixador Julio Bitelli deverá retornar a Brasília para participar de reuniões no Ministério das Relações Exteriores sobre os próximos passos da relação entre Brasil e Argentina.

O episódio amplia o histórico de divergências entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Javier Milei, que mantêm posições políticas distintas e vêm trocando críticas públicas desde o início do governo argentino.

Relação entre Brasil e Argentina enfrenta novo momento de tensão

A convocação do embaixador ocorre em meio ao distanciamento diplomático entre Brasília e Buenos Aires. Desde que assumiu a Presidência da Argentina, Javier Milei e Lula não realizaram um encontro bilateral, e a relação entre os dois governos tem sido marcada por declarações públicas e divergências políticas.

PSD oficializa candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência da República

Ex-governador de Goiás representará o partido na disputa pelo Palácio do Planalto.

PSD oficializa candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência da República

SÃO PAULO - O PSD oficializou, neste domingo (26), a candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência da República nas eleições de 2026. A decisão foi confirmada durante a convenção nacional da legenda, realizada na capital paulista, que reuniu dirigentes, parlamentares e lideranças do partido para homologar a chapa presidencial.

Durante o evento, Caiado defendeu propostas voltadas para áreas como segurança pública, desenvolvimento econômico e gestão pública. O político também afirmou que pretende apresentar uma alternativa ao atual cenário de polarização política no país.

A convenção marcou o encerramento do processo interno de definição do candidato do PSD para a disputa pelo Palácio do Planalto e oficializou o início da campanha eleitoral da legenda.

Convenção reúne lideranças do partido

A oficialização da candidatura ocorreu durante a convenção nacional do PSD, que reuniu representantes da sigla de diferentes estados.

Em seu discurso, Ronaldo Caiado destacou a importância da união do partido para a disputa eleitoral e defendeu a construção de um projeto nacional voltado ao crescimento econômico, ao fortalecimento da segurança pública e à melhoria da gestão do Estado.

PSD entra oficialmente na disputa presidencial

Com a homologação da candidatura, o PSD passa a integrar o grupo de partidos que já definiram seus candidatos à Presidência da República para as eleições de 2026.

A legenda agora dará início às agendas de campanha e às articulações políticas em todo o país, de olho na disputa pelo Palácio do Planalto.

Em ano eleitoral, TCE-MA cria força-tarefa para passar “pente-fino” no uso de Emendas PIX por prefeituras

Tribunal de Contas do Estado vai monitorar portais de transparência dos municípios para verificar a rastreabilidade e a aplicação de recursos das emendas impositivas

Em ano eleitoral, TCE-MA cria força-tarefa para passar “pente-fino” no uso de Emendas PIX por prefeituras

A forma como prefeitos e gestores municipais estão utilizando recursos oriundos de emendas parlamentares passará por um pente-fino do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA). Em um ano eleitoral, quando o debate sobre a destinação do dinheiro público ganha ainda mais visibilidade, a Corte de Contas criou uma força-tarefa específica para avaliar se os municípios estão divulgando, de maneira clara e completa, as informações relacionadas às chamadas emendas parlamentares impositivas, popularmente conhecidas como “emendas PIX”.

A iniciativa será coordenada pela Secretaria de Fiscalização (Sefis) e foi oficializada por meio da Ordem de Serviço nº 05/2026, publicada no Diário Oficial do Tribunal. O objetivo é verificar se os portais de transparência municipais cumprem as exigências legais de publicidade das informações, permitindo que órgãos de controle e a própria população acompanhem o caminho percorrido pelos recursos, desde a sua liberação até a aplicação final.

A medida surge em um momento em que as emendas parlamentares estão no centro das discussões nacionais sobre transparência e controle dos gastos públicos. Nos últimos anos, o tema passou a receber atenção especial dos órgãos de fiscalização e do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a adoção de mecanismos capazes de garantir maior rastreabilidade e publicidade na execução desses recursos.

Na prática, o trabalho do TCE-MA busca responder a uma pergunta simples, mas fundamental: para onde está indo o dinheiro das emendas parlamentares e como ele está sendo utilizado? Embora a legislação determine que todas essas informações estejam disponíveis nos portais oficiais, a realidade encontrada em muitos municípios brasileiros ainda apresenta dificuldades de acesso, ausência de dados detalhados ou informações divulgadas de forma fragmentada.

A força-tarefa deverá analisar prioritariamente os municípios que já receberam, estão recebendo ou venham a receber recursos provenientes de emendas parlamentares estaduais, federais ou municipais. A fiscalização também alcançará transferências realizadas por meio de convênios, transferências fundo a fundo e outros instrumentos utilizados para repassar recursos públicos.

Lula tem encontros com presidentes da França e da Suíça

Reuniões ocorreram durante viagem do presidente para reunião com G7.

Lula tem encontros com presidentes da França e da Suíça

ÉVIAN (FRANÇA) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta segunda-feira (15), de encontros bilaterais com os presidentes da Suíça, Guy Parmelin, em Genebra; e da França, Emmanuel Macron, ao chegar na cidade francesa de Évian, onde participa da Cúpula do G7 – fórum que reúne as sete maiores economias do mundo.

Na reunião com Macron, que durou cerca de 40 minutos, os líderes destacaram a cooperação bilateral, especialmente na área de defesa, com ênfase no Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub).

Trataram também do fortalecimento da cooperação entre a Guiana Francesa e o Amapá, bem como do interesse francês em apoiar o Brasil na área de supercomputadores.

Lula ainda relembrou a criação da Unitaid, organização internacional voltada à saúde global, criada em 2006 com o objetivo de ampliar o acesso de países do Sul Global a medicamentos e tecnologias da saúde.

Suíça

No encontro com Parmelin, quando Lula estava a caminho da França, o foco da reunião foi a ampliação do comércio bilateral e a diversificação das exportações.

Segundo o Planalto, os dois presidentes concordaram que o acordo Mercosul-EFTA representa uma “oportunidade para ampliar o comércio, em um cenário global marcado pelo aumento do protecionismo e do unilateralismo”.

O EFTA reúne países europeus que estão fora da União Europeia - Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.

Entre as decisões tomadas por Lula e Parmelin durante o encontro está a de expandir a cooperação em áreas como inteligência artificial, energia, saúde e defesa.

O presidente suíço elogiou o Brasil pela realização da COP30 e pelos avanços no combate ao desmatamento.

G7

Lula participa como convidado da Cúpula do G7, entre os dias 15 e 17 de junho. O grupo é formado por Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão.

Durante o encontro, ele deve defender a ampliação da ajuda internacional a países em desenvolvimento e a reforma da governança global, com ênfase em instituições como a Organização das Nações Unidas e a Organização Mundial do Comércio.

Lula também participará de debates sobre crescimento econômico equilibrado e inteligência artificial, abordando oportunidades e riscos da tecnologia.

A cúpula discutirá ainda temas como proteção digital de crianças, combate ao narcotráfico, migração, câncer e minerais críticos.

O presidente busca reforçar o multilateralismo em meio a tensões comerciais globais, incluindo críticas recentes dos Estados Unidos ao Brasil.

Senado aprova uso do Fundo do Pré-Sal para dívidas do agro

Segundo governo, medida pode ter impacto fiscal de até R$ 140 bilhões.

Senado aprova uso do Fundo do Pré-Sal para dívidas do agro

BRASÍLIA - O Senado aprovou nesta quarta-feira (10) o projeto de Lei (PL) 5122/23, que autoriza o uso do Fundo Social (FS) do Pré-Sal para financiar o pagamento de dívidas de produtores rurais ocasionadas por eventos climáticos adversos ou impactos econômicos negativos em razão dos conflitos geopolíticos internacionais, o chamado “Refis do Agro”.

O texto também trata do alongamento de dívidas originárias de crédito rural.

O governo se manifestou contrário ao parecer do relator, argumentando que a medida pode ter um forte impacto fiscal de até R$ 140 bilhões.

Nova votação na Câmara

Como a proposta sofreu alterações no Senado, o texto terá de passar por nova deliberação na Câmara dos Deputados antes de seguir para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os senadores aprovaram o parecer do senador Renan Calheiros (MDB-AL), aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), que prevê, entre outros pontos que o financiamento das dívidas terá prazo de até 10 anos, com três anos de carência, juros reduzidos e limites de até R$ 10 milhões por beneficiário e R$ 50 milhões por cooperativa, associação ou condomínio

Criado em 2010 para financiar políticas de caráter permanente com recursos do pré-sal, que é uma riqueza finita, o fundo vem sofrendo alterações ao longo dos anos, com a inclusão de novas atribuições.

Atualmente, 50% do Fundo do Pré-sal devem ir para a educação. A outra metade é dividida entre áreas como habitação social, saúde, ciência e tecnologia, cultura e esporte. 

Em 2025, uma medida provisória (MP) do governo federal, transformada em lei posteriormente pelo Parlamento, incluiu o financiamento de políticas de habitação social e de mitigação das mudanças climáticas, servindo também como fonte de recursos para a reconstrução do Rio Grande do Sul (RS) após as enchentes de maio de 2024

O texto aprovado no Senado beneficia produtores e cooperativas que comprovem perdas significativas em pelo menos duas safras, entre 2019 e 2025, decorrentes de eventos climáticos ou da queda dos preços agrícolas, em razão de conflitos geopolíticos, a exemplo do conflito no Oriente Médio.

O projeto autoriza a utilização como fonte de recursos para a disponibilização de linha especial de financiamento as receitas correntes de 2026 e de 2027 do FS; bem como do superávit financeiro do fundo apurado em 31 de dezembro dos anos de 2025 e de 2026; de fontes do Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR); do superávit financeiro de outros fundos supervisionados pelo Ministério da Fazenda, apurado em 31 de dezembro dos anos de 2025 e de 2026 e ainda de outras fontes definidas pelo Poder Executivo.

O projeto ainda prevê o uso de receitas de outros fundos, como os de Financiamento do Nordeste (FNE), do Norte (FNO) e do Centro-Oeste (FCO) e do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé). O limite global da operação será definido pelo Executivo.

Limite do financiamento

Pela proposta, a linha especial de financiamento terá o limite de R$ 10 milhões por beneficiário de programas como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e o de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp). Para associação, cooperativa de produção, o limite será de R$ R$ 50 milhões. 

O prazo de pagamento será de 13 anos, incluídos ao menos dois anos de carência, de acordo com a capacidade de pagamento. A taxa efetiva de juros será de 3,5% ao ano para beneficiários do Pronaf e demais pequenos produtores.

Para os beneficiários do Pronamp e demais médios produtores, a taxa será de 5,5% ao ano. Para os demais produtores, a taxa aplicada será de 7,5% ao ano.

Poderão ser renegociadas operações de crédito rural, empréstimos utilizados para liquidar dívidas rurais e Cédulas de Produto Rural (CPRs), com operações de custeio, investimento, comercialização e industrialização, incluindo contratos firmados até 31 de dezembro de 2025. Além de dívidas com cerealistas, cooperativas e fornecedores e insumos.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) disse que colocaria a matéria em votação por ter feito um acordo com os senadores.

“Eu respeito integralmente a posição do governo, que têm apelado reiteradas vezes para que o Senado tenha cautela na deliberação das matérias relevantes e que podem impactar o orçamento do Brasil, mas eu fiz um acordo com os senadores e senadoras, com os deputados em várias ocasiões. Publicamente, eu vou informar que não há acordo com o governo em relação ao texto apresentado, mas eu vou deliberar hoje o relatório aprovado pela CAE” disse.