Comércio do Maranhão deve abrir mais de 1000 vagas formais no fim de 2026

Estudo da Fecomércio-MA aponta estimativa de 888 contratações no varejo da capital no quarto trimestre, apesar da postura cautelosa dos empresários.

Comércio do Maranhão deve abrir mais de 1000 vagas formais no fim de 2026

SÃO LUÍS - A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Maranhão (Fecomércio-MA) divulgou pesquisa onde projeta a criação de aproximadamente 1.088 postos de trabalho formais no comércio varejista do estado no último trimestre de 2026. 

Desse total, estimam-se 888 vagas geradas em São Luís. O resultado vem após o setor acumular um saldo negativo de -386 empregos formais no Maranhão e de -1.210 na capital entre janeiro e agosto deste ano.

Retrospectiva do mercado de trabalho no varejo

A necessidade de contratação no final de ano surge em um contexto de encerramento de postos de trabalho ao longo de 2026. No quarto trimestre de 2025, de acordo com o Novo Caged, o comércio varejista havia registrado saldo positivo de 1.066 vagas no estado, das quais 870 foram abertas em São Luís.

No entanto, o primeiro trimestre de 2026 eliminou -2.282 empregos no Maranhão e -1.155 na capital. O saldo combinado desses dois períodos fechou negativo em -1.216 postos no estado e -285 em São Luís, demonstrando que a movimentação do fim de 2025 não se sustentou no início deste ano.

Confiança empresarial e intenção de investimento

A projeção de empregos para o fim de 2026 baseia-se também no Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) de São Luís, que alcançou 113,6 pontos em outubro, alta de 3,7% frente aos 109,5 pontos de outubro de 2025. O subíndice de contratações avançou 2,1%, passando de 131 para 133,7 pontos, com 61,3% dos entrevistados indicando intenção de aumentar discretamente o quadro de funcionários.

Apesar do otimismo com as vendas sazonais, 69,9% dos empresários avaliam que a economia brasileira piorou e 55,5% consideram que as condições do comércio se deterioraram. O indicador de condições atuais subiu para 84,8 pontos, mas permanece abaixo da margem de satisfação (100 pontos). Além disso, o indicador de investimentos caiu 2% (de 99,3 para 97,3 pontos), com 50,2% dos comerciantes relatando redução nos aportes.

Para o presidente da Fecomércio-MA, Maurício Feijó, o foco das empresas no último trimestre está na eficiência operacional e na rentabilidade.

"O grande desafio do comércio no fim de ano é atender ao aumento das vendas mantendo o equilíbrio financeiro. O empresário precisa reforçar a equipe com cautela, gerenciando custos operacionais, incertezas do mercado e as discussões sobre a adoção da escala 5x2. A contratação temporária ajudará a mitigar as perdas do ano, mas a expansão sustentável do emprego exige cautela", avalia.

Prazo para recursos do Enamed 2026 e Revalida 2026/2 vai até quinta (17)

Inep disponibilizou os cadernos de provas e os gabaritos preliminares.

Prazo para recursos do Enamed 2026 e Revalida 2026/2 vai até quinta (17)

BRASÍLIA - As versões preliminares do gabarito e do caderno de provas objetivas do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) de 2026 e também da primeira etapa da segunda edição do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira (Revalida) já stão disponíveis.

Os candidatos podem consultar os documentos nas páginas eletrônicas dos respectivos exames nacionais coordenados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

As provas de avaliação da formação médica foram aplicadas no último domingo (14), em todas as unidades da federação.

Recursos

Os recursos administrativos contra as versões preliminares de gabarito oficial da prova objetiva podem ser apresentados até as 23h59 desta quinta-feira (17), no horário de Brasília. A data inicial, que era 22 de setembro, foi retificada para esta quinta-feira.

Para o procedimento, o participante deverá acessar o Sistema Revalida.

Os recursos serão analisados, e os resultados serão disponibilizados pelo Inep, acompanhados das razões de deferimento ou indeferimento apresentadas pela Banca de Análise de Recursos do Gabarito Preliminar.

Em caso de anulação de item do gabarito oficial preliminar da prova objetiva, a pontuação correspondente será atribuída a todos os participantes, inclusive aos que não tenham interposto recurso.

Conforme o edital do Enamed desta edição, ainda serão publicadas as versões definitivas do gabarito oficial da prova objetiva e o resultado definitivo da prova objetiva, no dia 4 de dezembro.

Enamed

Criado pelo MEC, o Enamed tem duas funções principais: avaliar a formação médica e a qualidade dos cursos de graduação do país; e servir como critério para processos seletivos de residência médica de acesso direto, como no processo unificado do Exame Nacional de Residências (Enare).

O exame será aplicado obrigatoriamente a cada seis meses a partir de 2027 a todos os estudantes concluintes de cursos de medicina no Brasil.

Com a recente mudança na legislação, anunciada em junho pelo Inep, o Enamed também passou a valer como instrumento de avaliação da proficiência dos estudantes de medicina.

Com isso, os graduados em medicina somente poderão se inscrever no Conselho Regional de Medicina (CRM) de sua respectiva unidade da federação se tiverem rendimento suficiente no exame.

O registro no conselho é obrigatório para exercer a profissão de médico no Brasil.

Revalida

Já o Revalida tem o objetivo de verificar se médicos formados no exterior adquiriram os conhecimentos, habilidades e competências necessários para o exercício profissional no Brasil adequados aos princípios e às necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS).

O processo organizado pelos ministérios da Educação e da Saúde serve para dar validade aos diplomas estrangeiros de conclusão da graduação de médicos brasileiros e estrangeiros que desejam atuar no Brasil.

A aprovação no exame atesta que o documento emitido no exterior é compatível com as exigências de formação das universidades brasileiras. 

STF provocou mal-estar cívico na população, diz Cármen Lúcia

Ministra foi favorável à votação separada sobre denúncias.

STF provocou mal-estar cívico na população, diz Cármen Lúcia

BRASÍLIA - A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), lamentou a exposição negativa da Corte nas últimas semanas, em função das denúncias de envolvimento de magistrados do tribunal no caso do Banco Master. A manifestação da magistrada ocorreu nesta terça-feira (15), durante julgamento que decidiria sobre a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, por sua suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

"Estou nesta sessão, como talvez muitos de meus colegas, em estado de profunda consternação e tristeza. Hoje, um dos colegas me dizia se eu estava aborrecida com alguma coisa, mas eu disse que estava triste. Não apenas pelo tema que nos traz aqui, mas porque este Supremo Tribunal Federal, guarda da Constituição, por determinação nela expressa, provocou, acho, um mal-estar cívico em todas as cidadãs e cidadãos brasileiros nestes últimos dias", afirmou a ministra.

Segundo Cármen Lúcia, houve uma espetacularização desse caso, o que fez grande mal à sociedade, que deveria estar discutindo os rumos do país em meio ao processo eleitoral. "Poder Judiciário existe para tranquilizar o povo, e nós geramos intranquilidade, essa é a minha percepção. Inebriamos o sentimento de justiça da cidadania estes últimos dias", apontou.

A sessão acabou sendo suspensa, após um pedido de vista do ministro Flávio Dino. Com isso, a análise do caso não tem data para ser retomada. O placar parcial do julgamento ficou em 4 votos a 3 a favor da análise separada sobre a conduta de Moraes e os atos praticados pelo então relator do caso Master, ministro André Mendonça, que encaminhou denúncias contra o colega e outras autoridades, incluindo o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

A própria ministra Cármen Lúcia acompanhou a decisão do presidente do STF, Edson Fachin, de votar em separado as denúncias contra Mendonça e Moraes. O mesmo entendimento foi seguido pelos ministros Luiz Fux e pelo próprio Mendonça, formando a maioria parcial.

Já os votos pelo julgamento conjunto foram proferidos por Gilmar Mendes, formulador da questão de ordem, além de Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes. Como Dino pediu vista, sua posição a favor do julgamento em separado não foi considerada no placar.

Voto de Luiz Fux

Antes do voto de Cármen Lúcia, o ministro Luiz Fux também registrou a posição a favor do julgamento em separado das suspeitas envolvendo Moraes e Mendonça.

"Não há mais tênue conexão entre essas duas petições. Uma alega abuso de autoridade [de Mendonça] e outra alega atos supostamente ilícitos praticados por um membro dessa corte [Moraes]. Uma coisa é abuso de autoridade, outra é essa investigação. Não há causas penais, não há processo criminal, não há inquérito", disse.

"O que houve foi uma divergência entre dois ministros para deliberar sobre determinados fatos. No meu modo de ver, a presidência foi instada a compor essa divergência e o fez pela via administrativa que o Regimento [do STF] lhe faculta", acrescentou Fux.

Entenda

O relatório com menções a Moraes veio à tona em 1º de setembro, quando o ministro André Mendonça levantou o sigilo sobre o documento. O ato desencadeou uma crise institucional sem precedentes no STF, com a divulgação recíproca de relatórios comprometedores e pedidos mútuos de investigação.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a Fachin a anulação do relatório parcial. O órgão argumenta que o documento é irregular porque Mendonça permitiu que a investigação avançasse sobre um ministro do Supremo sem comunicar isso ao presidente da Corte ou ao plenário.

A PGR sugere que isso pode representa direcionamento por parte de Mendonça, entre outros argumentos. O nome do procurador-geral da República, Paulo Gonet, contudo, também aparece nas mensagens que a PF diz terem sido enviadas por Vorcaro a Moraes.

O relatório divulgado por Mendonça apresenta 52 mensagens que os investigadores dizem ter sido enviadas por Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes. Nelas, o ex-banqueiro aparenta ter uma relação de proximidade com o ministro.

Em um trecho do que aparenta ser uma conversa, Vorcaro sugere ter enviado para a consideração de Moraes um contrato de R$ 131 milhões do Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Em outro trecho, Vorcaro parece buscar junto a Moraes informações sobre uma operação iminente para prendê-lo. Segundo a PF, as mensagens foram enviadas entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data em que o ex-banqueiro foi preso preventivamente.

Em defesa apresentada na madrugada desta terça (15), o ministro negou ter cometido qualquer tipo de irregularidade e classificou o relatório que contém supostas mensagens enviadas pelo ex-banqueiro a ele como inconstitucional e ilegal.

Reação

Alexandre de Moraes divulgou, em 2 de setembro, o que disse ser um relatório de inteligência também da PF, no qual se sugere que Mendonça possa ter direcionado as investigações da Operação Compliance Zero para atingir desafetos políticos.

O documento, contudo, não é assinado nem contém o timbre da corporação, além de trazer na capa o alerta de que o material foi produzido como uma conjectura e "sem valor probatório".

Moraes pediu a Fachin a abertura de investigação contra Mendonça por suspeita de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O presidente do Supremo marcou o julgamento deste pedido para 23 de setembro.

Saulo Arcangeli defende tarifa zero e estatização no Maranhão

Candidato do PSTU ao Governo do Maranhão falou sobre saúde, educação, segurança, transporte, saneamento, meio ambiente e geração de empregos no JM1

Saulo Arcangeli defende tarifa zero e estatização no Maranhão

SÃO LUÍS – O candidato ao Governo do Maranhão, Saulo Arcangeli (PSTU), defendeu propostas de estatização de serviços públicos, tarifa zero no transporte, ampliação dos investimentos em saúde e saneamento, desmilitarização da Polícia Militar e criação de conselhos populares durante entrevista ao JM1, da TV Mirante. A entrevista foi conduzida pelos jornalistas Rodrigo Bomfim e Tayse Feques.

Durante a entrevista, Saulo Arcangeli também respondeu a questionamentos sobre escolas cívico-militares, atendimento especializado na saúde, concentração de médicos na capital, transporte público, isenções fiscais, geração de empregos e meio ambiente.

Conselhos populares e participação no orçamento

Saulo Arcangeli abriu a entrevista defendendo a criação de conselhos populares como uma das principais formas de participação da população em uma eventual gestão do PSTU. Questionado sobre como funcionaria a autonomia dessas estruturas, o candidato afirmou que elas teriam caráter deliberativo e participariam da discussão do orçamento estadual.

“Conselhos populares, o PSTU vai governar através dos conselhos populares. Nós sabemos que desde a Constituição de 88 foram criados conselhos, mas são conselhos consultivos. No governo do PSTU, os conselhos vão funcionar e vão ser conselhos deliberativos que vão discutir o orçamento do estado”, afirmou.

O candidato citou como exemplos conselhos voltados para segurança alimentar e educação e defendeu a participação de diferentes segmentos da sociedade na definição das prioridades.

“O Conselho de Educação também vai envolver os professores, os alunos, os pais, onde vai se discutir o orçamento do estado. Não vai ser uma peça que o governador vai mandar da cabeça dele”, declarou.

Segundo Saulo, os conselhos seriam formados a partir de locais de trabalho e de moradia, com participação de pessoas diretamente afetadas pelos problemas das políticas públicas.

“A gente vai escolher esses conselhos nos locais de trabalho, nos locais de moradia, é onde as pessoas sentem a realidade, onde tem problema do saneamento, onde não tem a saúde, onde não tem uma escola próximo, onde não tem creche. 60% das crianças do Maranhão, de 0 a 3 anos, não estão em creche. Por quê? Porque não tem a prioridade, não se escuta as pessoas que dependem de políticas públicas”, afirmou.

Questionado sobre o papel dos deputados estaduais, que também são eleitos pelo voto popular, Saulo afirmou que os conselhos teriam a função de ampliar a participação direta da população nas decisões.

“A gente quer uma representatividade mesmo popular. Mesmo que tenha essa representatividade do voto, a gente sabe que a casa do povo, o povo quase que não entra. Tem uma galeria pequena e quando tem movimentação eles fecham a galeria. Então a gente pensa que a população tem que definir o orçamento e ela tem que pressionar a Assembleia Legislativa do Maranhão”, declarou.

Saúde pública e redução da fila por consultas e exames

A saúde pública foi um dos principais temas da entrevista. Ao responder sobre como reduzir o tempo de espera por consultas especializadas e exames na rede pública, Saulo Arcangeli criticou o modelo de gestão de unidades de saúde por organizações e institutos privados.

“Infelizmente, a saúde do Maranhão é uma saúde que a gente diz que é pública, mas na realidade é uma saúde privada. Quem controla os hospitais, desde os macrorregionais, as policlínicas, as clínicas, centro de hemodiálise, são empresas privadas. A gente pensa que é o poder público, mas são os institutos”, afirmou.

O candidato defendeu a realização de concursos públicos para profissionais de diferentes especialidades e afirmou que pretende ampliar a participação direta da Secretaria de Estado da Saúde na gestão da rede.

“Nós vamos pegar esse recurso da saúde e a Secretaria de Saúde que vai controlar, vai ter concurso público para todas as especialidades. Nós vamos acabar com a MCE, que é uma empresa privada que também não faz concurso público, é tudo via seletivo. Então a gente vai investir realmente na saúde, estruturar os hospitais”, declarou.

Saulo também criticou a demora no atendimento e afirmou que existe interferência política na ordem de acesso aos serviços de saúde.

“Aquele hospital, aquela UPA é controlada por político. Eles furam as filas. Eles furam a fila. Inclusive o candidato que esteve ontem aqui, ele é um dos que fura a fila. Porque inclusive o prefeito de Bacabal já disse: ‘Olha, eu ligo pro Orleans, aí ele fura a fila da saúde’. É assim que funciona a saúde. Por isso que as pessoas não têm direito a uma consulta, não têm direito para fazer uma cirurgia, demora dois a três anos, infelizmente as pessoas morrem”, afirmou.

O candidato defendeu ainda a estatização da rede e disse que pretende retirar organizações privadas da administração dos serviços.

“Saúde tem que ser pública, porque não pode estar com as empresas, porque a empresa coloca o lucro acima da vida. Então, no governo do PSTU, a gente vai ter uma saúde realmente estatizada, controlada. Vamos tirar os políticos que controlam, indicam aquelas pessoas para participar daquele instituto. Vamos acabar com isso e realmente garantir uma saúde digna, principalmente pro Maranhão”, declarou.

Médicos no interior e investimentos em saneamento

A dificuldade de fixar médicos e especialistas no interior do Maranhão também foi abordada. Saulo relacionou a concentração dos profissionais na capital aos problemas de saneamento básico e defendeu investimentos na estrutura de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

“Essa é a realidade que nós temos no estado do Maranhão. Nós temos o menor número, como eu falei, menor número de médicos por habitante. Você não tem as especialidades para ser garantida em relação à saúde. E saúde, a gente é o estado onde não temos saneamento. Apenas 27% das casas, das residências no Maranhão têm esgoto e somente 19% desses 27% é tratado. Então tudo é jogado nos nossos rios, no mar”, afirmou.

O candidato defendeu o fortalecimento da Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema) e rejeitou a possibilidade de privatização da empresa.

“A gente vai fortalecer a Caema. A Caema vai ser estatal. Não vamos vender a Caema porque não podemos colocar água e esgoto como mercadoria. Vamos fortalecer a Caema, não entregar a Caema para as terceirizadas, porque todo mundo reclama da Caema, mas não sabe o que acontece. Os trabalhadores lá não são valorizados, tudo é entregue para empresas terceirizadas”, declarou.

Saulo disse que seriam necessários investimentos para recuperar a estrutura da companhia e citou um estudo que atribuiu ao Sindicato dos Urbanitários.

“Segundo estudos do próprio sindicato dos urbanitários, você precisa de R$ 2 bilhões para sanear a Caema e transformar a Caema, mesmo que ela possa, por exemplo, retirar a perda de água. Hoje a gente tem uma perda de água em torno de 57%, então de cada 10 litros de água, seis são perdidos porque você não faz a manutenção”, afirmou.

O candidato disse ainda que pretende colocar o saneamento básico entre as prioridades de governo.

“Investir na Caema é fundamental nos seus trabalhadores, garantir o saneamento, que saneamento é vida. E saneamento você tem todas as condições, inclusive do turismo. Porque não adianta você apresentar São Luís, onde você não consegue nem no mar e os rios estão todos, e as outras áreas do Maranhão, do nosso turismo. Então, a gente tem que investir em saneamento”, declarou.

Escolas cívico-militares e educação pública

Questionado sobre o modelo de escolas cívico-militares, Saulo Arcangeli afirmou que não pretende adotar esse formato como prioridade em uma eventual gestão.

“Eu tenho o respeito que as instituições militares possam ter, sua escola militar, mas a escola no governo do PSTU não vai ser quartel. Nós não vamos priorizar. A gente sabe que dois candidatos que já foram, tanto o Orleans, o Felipe Camarão, quando foi também secretário de Estado, ele criou muitas escolas cívico-militares”, afirmou.

O candidato defendeu escolas com participação democrática de professores, estudantes e comunidade e propôs a eleição de diretores.

“Nós defendemos que tenha disciplina, mas que também você tenha liberdade, tenha democracia na escola, que os diretores sejam eleitos pela classe, você tenha não militar, mas você tenha tutor nas escolas, que não existe, que você tenha psicólogos na escola. A gente está no Setembro Amarelo, a gente sabe o adoecimento inclusive mental, você tem que ter pedagogos na escola, assistentes sociais para garantir”, declarou.

Saulo também citou a necessidade de ampliar o número de profissionais de apoio para estudantes com necessidades específicas.

“Nós não temos tutores para crianças atípicas. Isso que você precisa, ter uma escola democrática, que as pessoas saiam de lá tendo capacidade crítica, tendo capacidade de dialogar, tendo condições, porque a vida que é fora é diferente”, afirmou.

O candidato também criticou a estrutura de parte das escolas estaduais e defendeu investimentos para melhorar as condições de ensino.

“Não é transformando a escola cívico-militar que você vai mudar essa realidade. Então você tem que ter um processo de democracia, respeito às escolas militares do Corpo de Bombeiro e de todo que tem essa. E as pessoas têm a liberdade. Mas o que é resolver o problema? Você tem que resolver da forma adequada que garanta que o aluno, que o professor, que a comunidade possa discutir a escola de forma democrática”, declarou.

Segurança pública e desmilitarização da Polícia Militar

Na segunda parte da entrevista, Saulo Arcangeli foi questionado sobre a proposta de desmilitarização da Polícia Militar prevista em seu plano de governo. O candidato reconheceu que a mudança depende de uma discussão em âmbito nacional, mas afirmou que defende a medida.

“A gente sabe que a desmilitarização é uma pauta nacional, não vou resolver se eleito, não vai desmilitarizar, mas é uma defesa que nós fazemos. Porque a militarização vem dentro da ditadura militar. Então a gente defende uma polícia única, uma polícia civil, onde você tem direito, inclusive aos trabalhadores”, afirmou.

Saulo defendeu mudanças na estrutura das polícias e criticou as condições de trabalho dos policiais militares.

“Nem os trabalhadores podem reivindicar seus direitos, não podem fazer uma mobilização, porque a hierarquia não deixa. E a gente sabe que hoje o nível de adoecimento dos trabalhadores da Polícia Militar é muito alto. E aí eles não podem nem reclamar. A gente tem aí uma polícia, por exemplo, no Maranhão, de alta letalidade”, declarou.

O candidato também defendeu investimentos na Polícia Civil e na investigação criminal.

“Você tem que investir na investigação, na polícia investigativa que não se investe no Maranhão, principalmente na Polícia Civil. Você tem que ter de uma forma de prevenir. O governo do PSTU não vai ser liberdade para matar, a polícia. Esse é o modelo da década de 70 e não resolve. Você tem que ter uma polícia comunitária, uma polícia que dialoga”, afirmou.

Para Saulo, a política de segurança pública também precisa enfrentar fatores sociais relacionados à violência.

“Você tem que trabalhar com as causas da violência, porque a segurança não é só contratar policial, colocar a viatura, que a viatura não tem nem gasolina às vezes para andar, isso não vai funcionar. Mas as condições de trabalho, o colete são tudo. Você tem que garantir educação, moradia, acesso ao esporte, ao lazer, porque senão a juventude nossa que está 71% da nossa juventude de 15 a 29 anos na informalidade vai ser captada, infelizmente, pro crime”, declarou.

Transporte público e tarifa zero no Maranhão

O transporte público foi outro tema discutido durante a entrevista. Saulo Arcangeli defendeu a estatização do sistema e a implantação da tarifa zero para toda a população.

Questionado sobre a estratégia apresentada em relação ao transporte, o candidato afirmou que mantém a defesa da estatização e ampliou a proposta para a gratuidade do serviço.

“O transporte público é um grande problema. A gente vê aqui em São Luís virou uma normalidade. Eu fui da frente pelo Passe Livre Estudantil, quando fui candidato a prefeito e também como organização social, porque o transporte tem que ser um direito social, tanto como a saúde como a educação. Está lá na Constituição, mas ninguém cumpre”, afirmou.

Saulo defendeu a criação de um sistema público de transporte e a integração dos diferentes modais.

“A gente quer a tarifa zero para todo mundo e tem condições, inclusive está se discutindo a nível nacional um sistema único de transporte. Então, tu tem que ter um Sistema Único de Saúde, tem que ter um sistema único de transporte, tem que ter um sistema único de assistência social, como já funciona. Por isso que a gente defende a tarifa zero”, declarou.

O candidato também defendeu a integração entre transporte rodoviário, hidroviário e ferroviário.

“Tem que ter uma interligação de todo o sistema, rodoviário, hidroviário e ferroviário. Por que no Maranhão ferrovia é só para levar grão, não é para levar as pessoas? Então você tem que ter estaleiro. É um absurdo que passa pelo ferryboat e a gente tem que comprar um ferryboat do Amazonas que tem um estaleiro e do Pará que tem um estaleiro. Por que o Maranhão não tem um estaleiro, que a gente é o segundo maior litoral do país?”, questionou.

Saulo afirmou que pretende utilizar recursos estaduais e federais para financiar a proposta.

“A gente tem que resolver dessa forma, garantindo a tarifa zero com orçamento próprio, mas também com orçamento federal, e também acabar com as isenções, porque o Maranhão, enquanto investe R$ 90 milhões no saneamento, dá R$ 2 bilhões de isenção pros grandes empreendimentos e não investe nas políticas públicas”, afirmou.

Isenções fiscais e geração de empregos

A proposta de cortar isenções fiscais concedidas a grandes indústrias foi discutida a partir de uma pergunta sobre o risco de empresas deixarem o Maranhão e provocarem demissões.

Saulo afirmou que pretende rever os incentivos concedidos a grandes empreendimentos e direcionar recursos para outras políticas públicas.

“Então são R$ 2,6 bilhões para isenções fiscais para grandes empreendimentos. E esses grandes empreendimentos não trazem esse emprego. É uma ilusão. Nós temos desde a década de 70 vários grandes empreendimentos que chegam no Maranhão”, declarou.

O candidato citou empresas que atuam no estado e criticou o modelo de desenvolvimento baseado na atração de grandes empreendimentos por meio de incentivos fiscais.

“Então são grandes empreendimentos, todo mundo é de fora, nem mora no Maranhão e tem isenções fiscais. A Alumar, a Vale, a Inveva, a canadense que extrai o ouro de Godofredo Viana. A Inveva que tem seis térmicas. Santo Antônio dos Lopes é o maior PIB per capita do Maranhão, é o 12º do Brasil e a população é pobre porque a riqueza do Maranhão vai embora, não é distribuída”, afirmou.

O candidato defendeu o fortalecimento da agroindústria e de atividades econômicas ligadas ao extrativismo.

“Você tem que mudar essa realidade, você tem que criar agroindústria. Eu tive agora na região dos Cocais, é um calor danado, porque a soja vem, tira as plantações importantes como o babaçu. Agora São Luís Gonzaga, a gente teve agora mais um caso de devastação do babaçu, que a gente tem uma lei e o babaçu você tem uma cadeia de produção belíssima, você pode fazer cosmético, alimentação. Nós vamos investir na agroindústria”, declarou.

Sobre o risco de fuga de capitais e desemprego após o fim das isenções, Saulo não apresentou, durante a entrevista, um cronograma específico de transição ou uma estimativa de impacto por setor. Ele defendeu, em vez disso, uma mudança no modelo de desenvolvimento econômico do estado.

Meio ambiente, agronegócio e agrotóxicos

Saulo Arcangeli também criticou a expansão do agronegócio e afirmou que pretende mudar a política ambiental e fundiária do Maranhão.

“Esses empreendimentos, se quiser ficar, mas não, a gente não é favorável a esses empreendimentos que causam uma poluição terrível. Nós tivemos aí nos últimos 20 anos denúncia da CNBB, dos bispos do Brasil, que São Luís está passando por uma poluição terrível”, afirmou.

O candidato defendeu ainda mudanças na legislação fundiária e o fim da pulverização aérea de agrotóxicos.

“Nós vamos acabar com a lei de terras do Brandão, que entregou terras para a grilagem. Vamos acabar com os agrotóxicos, pulverização aérea que está matando a nossa população. Você está trazendo agrotóxico na cabeça das pessoas, nas casas, nas escolas. Está todo mundo doente no Maranhão. A gente vai encerrar esse negócio de pulverização por agrotóxico”, declarou.

Saulo também defendeu uma política econômica voltada para o extrativismo, a agricultura e a produção local.

Considerações finais

Nas considerações finais, Saulo Arcangeli afirmou que a candidatura do PSTU pretende apresentar uma proposta de governo voltada à distribuição de renda e ao fortalecimento dos serviços públicos.

“Eu queria agradecer à TV Mirante por esse espaço. Espero ter contribuído. Espero que os estudantes também tenham aí esse bate-papo, que tenha sido importante, porque a gente tem uma candidatura, uma candidatura de esquerda, uma candidatura que quer dividir a riqueza do nosso estado”, afirmou.

O candidato também citou problemas relacionados à desigualdade social, insegurança alimentar, conflitos agrários e acesso à água.

“A gente tem um estado riquíssimo de riquezas naturais, culturais, mas, como a gente falou, as riquezas não ficam no Maranhão. As riquezas vão de navio para fora, para a China, para os Estados Unidos, para o Canadá e as riquezas não ficam no estado do Maranhão. Então a gente tem que mudar essa realidade. Enquanto a gente tem uma riqueza, a gente tem uma desigualdade social enorme, uma insegurança alimentar”, declarou.

Saulo encerrou a entrevista defendendo as propostas apresentadas durante o programa e convidando eleitores a conhecerem a candidatura do PSTU.

Cirurgias eletivas pelo SUS passam de 7,5 milhões no primeiro semestre

O aumento no número de cirurgias foi registrado em 20 estados.

Cirurgias eletivas pelo SUS passam de 7,5 milhões no primeiro semestre

BRASÍLIA - O Sistema Único de Saúde (SUS) registrou mais de 7,5 milhões de cirurgias eletivas realizadas no primeiro semestre deste ano. O número representa um aumento de 8% em relação ao mesmo período do ano passado. Foram, segundo o governo federal, 608 mil procedimentos a mais.

“O resultado mantém a trajetória de crescimento registrada nos últimos anos e ocorre após o país alcançar, em 2025, 14,9 milhões de cirurgias eletivas”, afirmou o governo federal, em nota.

O aumento no número de cirurgias foi registrado em 20 estados. Os maiores crescimentos foram vistos no Distrito Federal (31%), Sergipe (25%), Paraíba (23%), Bahia (20%) e Ceará (20%). Também apresentaram altas relevantes Amapá (18%), Alagoas (15%), Piauí (15%), Roraima (14%), Minas Gerais (13%), Goiás (12%), Rio de Janeiro (11%) e Rio Grande do Sul (11%).

Agora Tem Especialistas

Parte dos procedimentos foram realizados no âmbito do programa Agora Tem Especialistas, representando 2,92 milhões de cirurgias entre janeiro e junho de 2026. O programa tem como objetivo reduzir o tempo de espera por atendimentos de média e alta complexidade no SUS, por meio de ampliação de mutirões assistenciais, utilização de unidades móveis de saúde (carretas), aquisição de transporte sanitário e fortalecimento da Telessaúde.

A projeção do Ministério da Saúde é de que o SUS ultrapasse o número de 15 milhões de cirurgias eletivas em 2026, acima dos 14,9 milhões registrados em 2025.

Estados e municípios têm limite de crédito ampliado para 2026

Aumento aprovado pelo CMN não representa uma nova despesa federal.

Estados e municípios têm limite de crédito ampliado para 2026

BRASÍLIA - Os estados, o Distrito Federal e os municípios poderão contratar mais operações de crédito em 2026. Em reunião extraordinária, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aumentou em R$ 2 bilhões o limite global anual de crédito autorizado pelo órgão, que passa de R$ 26,625 bilhões para R$ 28,625 bilhões.

Na prática, a medida cria mais espaço para que governos estaduais e municipais contratem empréstimos para financiar projetos e investimentos dentro das regras fiscais estabelecidas para 2026. As operações podem ter ou não garantia da União.

De onde vem

O aumento não representa uma nova despesa federal. O espaço foi obtido a partir de um levantamento da Secretaria do Tesouro Nacional com entes que participam de programas de ajuste fiscal.

O levantamento identificou cerca de R$ 7,87 bilhões em espaço fiscal que não tinham previsão de utilização até o fim de 2026.

Desse total:

  • R$ 3 bilhões haviam sido remanejados anteriormente;
  • R$ 4,87 bilhões permaneciam disponíveis;
  • Agora, R$ 2 bilhões desse saldo foram destinados aos novos limites de crédito.

Segundo o CMN, o remanejamento ocorreu porque os limites para crédito dos governos subnacionais estavam próximos do esgotamento.

Novos limites

A resolução aumenta dois sublimites específicos. Sublimite é, nesse caso, uma parcela do limite total reservada para determinado tipo de operação.

Os valores passam a ser:

  • Com garantia da União: de R$ 7 bilhões para R$ 8,5 bilhões;
  • Sem garantia da União: de R$ 6 bilhões para R$ 6,5 bilhões.

Assim, os dois grupos somam R$ 15 bilhões em limites para estados, Distrito Federal e municípios.

A garantia da União significa que o governo federal assume determinadas obrigações caso o ente público não honre a dívida, o que pode reduzir o risco da operação e facilitar a obtenção do crédito.

Outros limites

A decisão não altera os demais sublimites previstos pelo CMN. Permanecem os seguintes valores:

  • Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC): R$ 2,8 bilhões com garantia da União e R$ 2,2 bilhões sem garantia;
  • Correios: R$ 8 bilhões;
  • Órgãos e entidades da União: R$ 625 milhões.

A resolução entra em vigor na data de sua publicação.

O que é CMN

O Conselho Monetário Nacional é o órgão responsável por formular diretrizes gerais das políticas monetária, creditícia e cambial do país.

Presidido pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, o colegiado também é composto pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.

SUS amplia cobertura da vacina Pneumo 20 para maiores de 85 anos

Imunizante protege contra 20 sorotipos da bactéria que causa pneumonia.

SUS amplia cobertura da vacina Pneumo 20 para maiores de 85 anos

BRASÍLIA - Idosos com 85 anos ou mais já podem se vacinar com a pneumocócica 20 pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O imunizante começou a ser distribuído este mês pelo Ministério da Saúde e a meta é vacinar pelo menos 90% do público alvo.

A pneumocócica 20-valente conjugada (pneumo 20) protege contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, causadora de infecções como pneumonia e meningite. Essas infecções costumam ser mais graves em pessoas idosas, por causa do processo natural de envelhecimento do sistema imunológico. 

Segundo o Ministério da Saúde, em 2025, a taxa de hospitalizações por pneumonia em pessoas com mais de 80 anos foi de 2.902,7 por 100 mil. A taxa de mortalidade foi de 743,1 por 100 mil.

Vacinação em crianças

Em junho deste ano, o SUS já havia incorporado a pneumo 20 no Calendário Nacional de Vacinação para crianças menores de 5 anos. Desde então, mais de 1 milhão de crianças foram imunizadas. 

Serviço

Para vacinar é preciso levar documento de identidade que comprove a idade. Não é necessária prescrição médica.

Greve nos Correios: TST determina manutenção de 80% do efetivo

Movimento grevista começou na última quinta-feira (10).

Greve nos Correios: TST determina manutenção de 80% do efetivo

BRASÍLIA - O Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou a manutenção de 80% do efetivo de trabalhadores dos Correios durante a greve da categoria.

A decisão foi proferida no último sábado (12) pelo presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho, após a estatal recorrer ao tribunal para garantir o funcionamento mínimo da empresa, que considera a greve abusiva.

O presidente entendeu que o serviço prestado pelos Correios é essencial e que a greve pode impactar nas eleições.

"A atividade essencial desenvolvida pela suscitante se agiganta em face dos compromissos assumidos com entes públicos e privados relacionados ao pleito eleitoral de 2026, cujo período de campanha encontra-se em curso, o que agrava os impactos à sociedade do movimento paredista", afirmou o ministro.

Os trabalhadores dos Correios entraram em greve na quinta-feira (10) e buscam a aprovação do acordo coletivo de trabalho 2025/2026. Os sindicatos da categoria contestam o modelo de restruturação da estatal, que prevê o fechamento de agências, redução de distritos postais. A categoria também afirma que não pode ser responsabilizada pela crise financeira da estatal.

Campanha salarial

O movimento grevista teve início na última quinta-feira (10). Segundo a Federação dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos e das Empresas de Comunicações (Findect), a deflagração aconteceu após as negociações da campanha salarial deste ano terminarem sem acordo.

Segundo a federação, a categoria buscou uma solução negociada, mas a empresa manteve sua posição em um tema considerado fundamental pelos trabalhadores. Um dos principais pontos do impasse é o plano de saúde, para os trabalhadores, aposentados e suas famílias.

Entregas

Em nota à imprensa, os Correios informaram que acionaram um plano de continuidade de negócios para reduzir os impactos da greve.

"Entre as medidas adotadas estão a mobilização de empregados administrativos para apoio às atividades operacionais, o remanejamento de veículos e a realização de mutirões para preservar o fluxo logístico", informou a estatal.

Fiscais resgatam 479 vítimas de trabalho análogo à escravidão em agosto

Do total, 75 eram mulheres, 13 crianças e 66 migrantes de 8 países.

Fiscais resgatam 479 vítimas de trabalho análogo à escravidão em agosto

BRASÍLIA - De 1° a 31 de agosto, as autoridades retiraram 479 pessoas de diversas nacionalidades de situações que configuravam trabalho análogo à escravidão. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), 75 vítimas eram mulheres, 9 atuavam em ambiente doméstico (1,9%) e 13 dos resgatados eram crianças ou adolescentes.

Outra característica de destaque é a origem das pessoas exploradas. Além de brasileiras e brasileiros, foram localizadas 66 migrantes vítimas provenientes da Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Burkina Faso, Senegal e Guiné-Bissau.

De acordo com os dados da Operação Resgate VI, o Sudeste concentrou 55,7% das vítimas (267 pessoas resgatadas), das quais a maioria (208) no estado de Minas Gerais.

A maior parte dos resgates (292 vítimas) ocorreu na zona rural, 57,5% das fiscalizações. O segmento econômico com maior número de casos foi o cultivo de café, com 53 vítimas, seguido por plantações de cebola (47), de batata-inglesa (44) e outras culturas de lavoura temporária (43).

Da região urbana foram resgatadas 178 das vítimas (37,2%). A construção civil respondeu por quase metade desses casos (85 pessoas, ou 47,7% das vítimas).

Iniciada em 2021, a força-tarefa da Operação Resgate combina esforços do MPF com o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Polícia Federal (PF), a Defensoria Pública da União (DPU) e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Ao longo de cinco anos, os esforços de fiscalização resultaram no resgate de 1.192 trabalhadores sem carteira assinada, ou seja, trabalhando informalmente e sem os direitos básicos garantidos, como férias e décimo terceiro. 

Notificações

Durante as fiscalizações realizadas no mês passado, os empregadores flagrados submetendo trabalhadores a essas condições foram notificados e instados a interromper as atividades e a rescindir os contratos de trabalho, formalizando-os retroativamente. O total em verbas trabalhistas e rescisórias chega R$ 1,4 milhão.

Além do trabalho análogo à escravidão, os empregadores implicados deverão responder por outras irregularidades, como trabalho infantil e por descumprir normas de saúde e segurança, colocando as vítimas em risco.

Segundo o MPF, na fase VI da Operação Resgate foram emitidos 1.836 autos de infração relacionados a esses contextos, assim como ordens de interdição e embargo de atividades com grave e possível risco para a integridade física e saúde dos trabalhadores.

"No âmbito da persecução penal e da atuação extrajudicial, o MPF acompanha atualmente 95 procedimentos extrajudiciais e 491 inquéritos relacionados à submissão ou à recondução de pessoas a condições análogas à escravidão. Na esfera judicial, em primeira instância, tramitam 759 ações penais. Outras 289 ações penais, apelações e recursos criminais em segunda instância, concentrados nas Procuradorias Regionais da República da 1ª, 3ª e 6ª Regiões", detalhou o MPF.

Nova lei para trabalhadores domésticos

No início de julho, foi sancionada a Lei nº 15.455/2026, que amplia a proteção às vítimas de trabalho análogo à escravidão no ambiente doméstico, permitindo que auditores fiscais entrem em residências para apurar suspeitas de irregularidades sem que precisem de um mandado judicial. 

A lei também prioriza as vítimas na fila do programa Bolsa Família e determina a aplicação da Lei Maria da Penha quando a vítima for mulher. A combinação com a Lei Maria da Penha deverá facilitar a obtenção de medidas protetivas de urgência e, com isso, evitar que patrões violentem ainda mais as vítimas resgatadas. Magistrados poderão, por exemplo, determinar o afastamento dos empregadores da residência e proibi-los de entrar em contato com a vítima e seus familiares. 

Estatísticas mostram que a maioria das pessoas que têm como ocupação o serviço doméstico remunerado, que assume variadas formas, como as atividades desempenhadas por diaristas, babás, jardineiros e cuidadores, é do gênero feminino e negra.

Em 2018, levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apurou um total de 6,2 milhões de pessoas exercendo serviços domésticos remunerados, dos quais 92% (5,7 milhões) mulheres e 3,9 milhões mulheres negras (62,9% do total de trabalhadores do setor), parcela mais vulnerável da pirâmide socioeconômica do país e também em termos de violência de gênero.

Denúncias de trabalho escravo podem ser feitas de forma remota e sigilosa no Sistema Ipê, sistema da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).